No dia 15 de março de 2015 ocorreu uma das principais manobras para articular o golpe de Estado que derrubaria a presidenta petista Dilma Roussef no ano seguinte, milhares de coxinhas saíram às ruas impulsionados pela burguesia nacional e pelo imperialismo para tentar dar algum aspecto de apoio popular para o golpe em andamento. A imprensa burguesa cobriu extensamente tentando inventar a realidade de que milhões de pessoas saíram as ruas para derrubar um governo popular e democraticamente eleito alguns meses antes.
Em uma manobra de sucesso a burguesia conseguiu lançar setores da classe média conservadora histérica nas ruas do Acre até o Rio Grande do Sul, no maior ato de direita da história recente. Estes foram os atos que marcaram a imagem do “coxinha” de verde-amarelo que obriga seus funcionários a participar das manifestações para aumentar o número de pessoas e dar um aspecto popular. As manifestações também eram uma boa representação da burguesia brasileira, bruta, reacionária, e racista, uma verdadeira escória.
Em contrapartida dois dias antes os professores do estado de São Paulo, organizados na APEOESP, maior sindicado da América Latina, realizaram uma assembleia de dez mil trabalhadores que decretou greve por tempo indeterminado em luta contra o governo de Alckmin do PSDB, que era um dos principais articuladores do golpe de Estado. A greve durou 92 dias e contou com mais de 20 manifestações durante o período da paralisação, o movimento se radicalizou a ponto de os professores tentarem ocupar o prédio da secretaria de educação do governo.
A manobra realizada pela burguesia nos anos antes do golpe foi impressionante, em 2013 a população havia se revoltado com os partidos burgueses que tinha o controle dos governos de estado, com destaque para o PSDB, com gigantescas manifestações, após a violência policial durante as manifestações contra o aumento da passagem. A burguesia tomou conta dessas manifestações e a impulsionaram contra o governo de Dilma, e no ano de 2014 mesmo com uma imensa campanha golpista pra impedir a vitória do PT, a população votou em maioria na presidenta Dilma. Com algumas manifestações e uma cobertura da imprensa golpista desproporcional, afirmando que eram “milhões” de manifestantes, a burguesia conseguiu convencer um setor da sociedade, principalmente da classe média, que o governo Dilma era impopular e assim abriu caminho para a derrubada da presidenta.
Os “coxinhatos” de 2015 são também exemplos importantes para se compreender que não é qualquer manifestação de ruas que representa uma real movimento popular. O PSTU apoiou vergonhosamente as manifestações chegando a apoiar o “Fora Dilma” dentro da política do “fora todos”. Contudo quando situações semelhantes acontecem em outros países, como na Venezuela e na Bielorrússia, setores da esquerda ainda caem nas campanhas golpistas do imperialismo.




