Sistema de saúde em colapso

Retorno de emigrados agrava a pandemia no interior do Ceará

As prefeituras de diversas cidades destino do movimento migratório de retorno impõem barreiras sanitárias aos viajantes

Fugindo do flagelo da seca e falta de desenvolvimento que assola a região nordeste, populações da região migraram, criou-se um verdadeiro êxodo secular principalmente dos municípios do interior dos estados do  nordeste para a região sudeste. Procurando sempre melhores condições nas regiões mais desenvolvidas, apenas recentemente houve diminuição desse quadro, com o investimento e desenvolvimento de determinadas regiões do nordeste.

A crise econômica há muito estabelecida, tinha custado um alto número de postos de trabalhos, diminuindo as oportunidades, que eram o antigo atrativo da região sudeste. Com o desenvolvimento da crise econômica e seu aprofundamento com a crise sanitária da pandemia causada pelo coronavírus, o alto número de fechamento de postos de trabalho no sudeste originou um movimento de migração de retorno desses trabalhadores às suas origens.

Sendo uma característica das infecções do coronavírus, que uma parte dos infectados sejam assintomáticos, havendo também aqueles infectados que apresentam sintomas mais brandos, esses indivíduos acabam se tornando vetores de transmissão. Com o movimento migratório ao interior do nordeste causado pela crise econômica, a pandemia acaba acompanha esse deslocamento. No estado do Ceará onde até pouco tempo eram registrados casos apenas na capital, hoje metade dos municípios do estado apresentam quadros de infecção por coronavírus.

O ideal nesta crise sanitária provocada pela pandemia do coronavírus era que não ocorressem deslocamento de populações, houvesse a testagem de todos os indivíduos e aplicassem quarentena aos contaminados. Entretanto além de não haver condições para distanciamento social para a maioria da população, não há efetiva testagem para isolamento dos infectados e há o total abandono do estado aos mais necessitados que diante da crise econômica e desamparado pelo estado só veem como opção a migração de retorno para sobrevivência.

Além de não fornecer testagem, atendimento adequado, renda mínima diante do desemprego, o governo federal, dos estados e municípios só oferecem empecilhos aos trabalhadores. Neste momento de desespero, as prefeituras de diversas cidades destino desse movimento migratório impõem barreiras sanitárias aos viajantes. Restando ao trabalhador em trânsito uma barreira no lugar de assistência em sua antigas moradias.

Está sendo cogitado por alguns municípios a possibilidade de barrar a entrada nos seus territórios, do indivíduos que possam ter sido expostos ao coronavírus, com base na lei federal Nº 13.979. Ou seja, sobre um suposto interesse coletivo, que cai por terra frente a falta de ações efetivas contra a pandemia, querem negar tudo aos trabalhadores. Até o direito de ir e vir, no momento de maior necessidade destes.

Demonstrando o caráter de classe das ações estatais, no Ceará culpas-se os transportes clandestinos pela disseminação do vírus no interior do estado e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE) promete ampliação da vigilância nas divisas cearenses. Ampliar e melhorar o atendimento a população diante da pandemia não é opção para os políticos burgueses, mas aumentar a opressão perseguindo os mais frágeis é a resposta do governo em um dos estados mais atingidos.

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