O governo do Estado do Paraná, de Ratinho Junior (PSC), anunciou nesta semana as medidas de prevenção ao coronavírus para os paranaenses. Dentre elas, a que mais chama a atenção é a proibição da circulação de ônibus interestaduais no estado, seja saindo ou entrando nas fronteiras paranaenses. A medida, que segundo o governo é uma forma de impedir que o vírus circule no Paraná, entra em vigor nesta sexta (20) e vale por no mínimo 14 dias. Num primeiro momento, na última quarta (18), a restrição seria apenas para os estados de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e o Distrito Federal, sendo ampliado para todos os estados na quinta-feira (19).
A medida paliativa do governo se mostra inócua, pois só mantém os paranaenses trancados no próprio estado, tendo em vista que o vírus pode continuar circulando normalmente por pessoas do próprio Paraná saindo de suas cidades e indo para outras, aliás, o estado do Paraná já tem 14 casos confirmados da doença em várias regiões do estado como em Curitiba (no leste), Londrina (no norte) e Foz do Iguaçú (oeste, fronteira com o Paraguai e Argentina), ou seja, o vírus já está em plena circulação entre os paranaenses. Esse tipo de medida só tapa o sol com a peneira e ainda restringe pessoas que tem familiares fora do estado de estarem e também de alguma forma cuidar dos seus entes, como por exemplo, trabalhadores e também estudantes das universidades paranaenses. As medidas do estado do Paraná se assemelham as do estado de Santa Catarina, que também fechou suas fronteiras e está fazendo barreiras nos municípios, o estado todo já tem 28 casos confirmados.
Além disso, na área da saúde, a cidade de Curitiba já restringiu os atendimentos de especialistas em ambulatórios próprios, hospitais e clínicas, que atendem o SUS e também os Centros de Especialidades Odontológicas (CEO’s). Pacientes do SUS que na maioria das vezes demoram meses na espera para a consulta com um especialista mais uma vez terão seus atendimentos adiados. Para a situação do coronavírus a prefeitura anunciou que a Secretaria Municipal de Saúde irá manter um funcionário na porta de cada unidade de saúde, perguntando para cada paciente que entra qual o motivo da sua ida a unidade, e se por acaso for compatível com os sintomas da doença serão tomadas medidas de protocolo especiais. Mais uma vez, o governo agindo de forma errônea, pois muitas vezes os sintomas não são todos iguais entre pacientes e nem todos apresentam sintomas mais nítidos da doença, o que pode levar a triagens erradas e o paciente com a doença continuar circulando normalmente e também sem um diagnóstico preciso para começar o tratamento. A secretária municipal da Saúde ainda enfatizou que só devem procurar atendimento de saúde aqueles com sintomas respiratórios agudos, mostrando a ação conjunta dos governos em não focar em todos os pacientes, algo totalmente absurdo, onde mais pessoas ainda poderão ser infectadas pelos que estão em estágio menos grave.
Essa situação só mostra como os governos, tanto estaduais quanto federal, estão despreparados para lidar com a pandemia. Fechamento de fronteiras, foco apenas em pacientes graves, mas nenhuma medida que contemple distribuição de materiais de higiene pessoal aos trabalhadores, aumento de leitos de UTI, medidas que seriam muito mais eficazes para conter a doença, como as 29 medidas que o PCO apresentou para enfrentar o problema. O coronavírus terá proporções catastróficas no país se políticas realmente preventivas e sérias não forem realizadas, um verdadeiro genocídio da população mais pobre, que ficou a mercê da sorte e sem nenhum plano efetivo do governo para aqueles que mais precisam, por isso a necessidade da população trabalhadora se organizar e exigir que o seu plano contra o vírus seja realizado. O trabalhador deve lutar pela sua existência e não deixar que seu povo seja dizimado pelo vírus e a incompetência das autoridades.


