Os efeitos na economia do coronavírus são comparáveis a um hecatombe econômico, particularmente agudo para a força de trabalho em situação de informalidade, cerca de 60% da população brasileira. Trabalhadores relatam medo de ficar sem emprego, até mesmo maior do que ficar doente ao contrair o coronavírus. A falta de vínculo legal de trabalho dificulta qualquer ação governamental, e a queda da demanda de serviços diminui a renda e lança milhões de pessoas na miséria e desemprego.
O governo Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia Paulo Guedes há pouco pregavam que a legislação trabalhista deveria ser aproximar ao máximo da informalidade, com todos os tipos de desregulamentação e retirada de direitos trabalhistas, como férias remuneradas, 13º salário, fim das multas por rescisão contratual, flexibilização de jornada, maior facilidade para demissão e liquidação absoluta de toda proteção social. Era proclamado que a informalidade resolveria os problemas econômicos do país e reduziria a taxa de desemprego. Bolsonaro até propôs a carteira de Emprego Verde e Amarelo, que elimina uma série de direitos dos trabalhadores e desonera os patrões.
O trabalho informal tem crescido no país com o golpe de Estado, que aprovou a “reforma” trabalhista, as terceirizações gerais e irrestritas, ambas aprofundadas pelo governo Jair Bolsonaro. Os trabalhadores de aplicativos de transporte e entrega de produtos, como Rappi, iFood, Uber e Cabify, já somam quase 2 milhões no país. O montante de trabalhadores classificados como “por conta própria” atingiu 24,5 milhões de pessoas.
A informalidade tão celebrada pela política neoliberal de Bolsonaro/Guedes implica na vulnerabilidade social para dezenas de milhões de trabalhadores, desamparados diante da crise do coronavírus e a queda da economia. Bolsonaro propôs um pacote econômico que não continha nenhuma medida de socorro direcionada para os trabalhadores informais, uma massa gigantesca da população.
O golpe de Estado afetou especialmente os trabalhadores informais, que agora são os que mais sofrem com a epidemia do coronavírus e a ânsia do governo neoliberal de proteger os capitalistas. Enquanto os trabalhadores se vêem no limite da miséria e da fome, Bolsonaro celebra seu aniversário e projeta medidas para salvar os capitalistas.



