Privilégios para as indústrias

Industriais querem os mesmos privilégios dados aos bancos

Multinacionais querem os mesmos privilégios que os banqueiros têm

A indústria automotiva instalada no Brasil quer que o Banco Central lhes dê os mesmos privilégios que está oferecendo aos bancos. Isso foi o que pediu Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), quando da divulgação dos dados trimestrais do setor. Ele alegou que os bancos “estão asfixiando o setor produtivo” em vez de contribuir para sua oxigenação (Money Report, 7/4/2020).

As empresas, todas elas multinacionais, querem acesso facilitado a recursos, assim como todos os demais empresários que sempre defenderam o Estado Mínimo, isto é, o afastamento do Estado da economia e total liberdade de atuação. Não querem regulação, só privilégios.

O que não divulgam é que essas mesmas empresas multinacionais têm seus próprios bancos e empresas financeiras, por isso a reclamação ou pedido dirigido ao Banco Central, elas não são só indústrias, são bancos também. Em relatório de fevereiro de 2020, a Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF) divulgou que “entre janeiro e dezembro do ano passado, houve um crescimento de 29,4% no total de recursos liberados para financiamentos, em relação ao ano de 2018, totalizando R$ 162,1 bilhões, ante R$ 125,2 bilhões do ano anterior. Este valor representa uma importante constante de crescimento do mercado e da economia brasileira, uma vez que, desde 2017, os resultados ultrapassam a casa dos R$ 100 bilhões e continuam crescendo.” Esses números ao mesmo tempo em que indicam lucros altos, mostram, segundo eles mesmo afirmam, “que os bancos de montadoras e instituições independentes possuem liquidez para atender todas as demandas do mercado”.

O que as montadoras de automóveis desejam é aumentar as facilidades de crédito para aumentar o endividamento dos consumidores de automóveis com seus bancos e financeiras. Em 2019, as montadoras conseguiram vender mais de 6,1 milhões de veículos por meio de financiamento, o melhor resultado para as montadoras desde 2014 (Autoindústria, 14/1/2020). Em média, os compradores brasileiros de automóveis se endividam por 42,9 meses. Uma das explicações que os bancos apresentaram para o crescimento dos financiamentos foi o desemprego. Isso mesmo, “o aumento de profissionais que, em razão do desemprego, passaram a trabalhar como autônomos com aplicativos de entrega de produtos e transporte de pessoas”. Não à toa, as pessoas com renda de até três salários mínimos representam 33% dos endividados. (Auto Papo, 28/6/19).

O crescimento das dificuldades dos trabalhadores, o desemprego, a perda de direitos e o aumento do trabalho precário faz as multinacionais montadoras de veículos ganharem em várias pontas. Aumentam as vendas, têm mais gente endividada com elas e passam a ter força ao negociar privilégios com o governo. Por isso, frente a qualquer possibilidade de crise econômica, se adiantam para pedir dinheiro fácil e farto ao governo. E, é claro, têm maior facilidade de interlocução e simpatia do Ministério da Economia, que cria todo o tipo de dificuldade para liberar recursos de transferência de renda para os trabalhadores, mas admite todas as facilidades na liberação de recursos para as grandes empresas.

Isso é um exemplo de que a história de que “estamos no mesmo barco” é uma balela para enganar os trabalhadores. Mesmo em situação de desemprego e desespero das famílias de trabalhadores, os empresários encontram formas de retirar mais e mais renda da classe trabalhadora e, mesmo assim, forçam seus representantes do Congresso Nacional e no Poder Executivo a retirar mais garantias e direitos dos trabalhadores, tornando-os cada vez mais vulneráveis e fragilizados perante a burguesia.

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