O blog “O cafezinho”, do jornalista Miguel do Rosário, notabilizou-se por sua defesa de Ciro Gomes na eleição de 2018. Portanto, não é segredo para ninguém que o blog é uma espécie de porta-voz dos coroneis Gomes, agora no PDT.
O episódio em Sobral, no Ceará, quando o irmão de Ciro, o senador Cid Gomes, jogou uma retroescavadeira em um piquete feito por policiais militares em greve e foi alvejado com dois tiros disparados pelos policiais participantes da greve gerou uma repercussão confusa sobre os acontecimentos.
Diante da ação destemperada de Cid, atentando de maneira violenta contra uma greve, Ciro Gomes correu para salvar a pele do irmão procurando criar uma versão fantasiosa do que ocorreu. Não seria, portanto, uma tentativa de frear uma greve à forçca por parte de Cid, mas um ato contra o fascismo representando por aqueles PMs.
O blog “O cafezinho”, então, em matéria assinada pelo próprio Miguel do Rosário, intitulada “A audácia de Cid e o silêncio estranho e hostil de setores da esquerda”, tratou não apenas de endossar a versão fantasiosa do suposto “antifascismo” dos Gomes mas procurou dar um ar épico para a ação de Cid, “o audocioso”.
“Cid Gomes não foi louco. Foi um heroi. Tem sido tão raro testemunharmos atos de heroísmo nos últimos anos que as pessoas perderam a capacidade de reconhecê-los quando se deparam com um.” O artigo de Miguel do Rosário é uma repetição desse tipo de elogio.
Afinal, é preciso repetir bastante para que uma fantasia se torne uma verdade.
O problema é convencer as pessoas que os Gomes, oligarquia do Ceará, seriam algo como militantes antifascistas. Seria importante perguntar onde está o antifascismo dos Gomes na política de dissolução da PM fascista. Não há! O que há, na realidade é uma política, burguesa e direitista como outra qualquer, de defesa da polícia e do aparato de repressão estatal. Tanto é assim que a PM é usada pelos Gomes sempre que é necessário espancar algum grevista no Estado ou na cidade de Sobral.
Como a greve dessa vez era da própria PM, Cid Gomes tratou ele mesmo de acabar com a greve na base da pancada. Acabou se dando mal.
Não há nenhum horoísmo além daquele que encontramos nas palavras de Miguel do Rosário. O que há é a ação de um típico político burguês contra o uma greve. Tampouco há qualquer antifascismo nessa ação. Se os PMs são bolsonaristas e fascistas – difícil negar tal coisa – não foi por isso que Cid atirou uma retroescavadeira contra o piquete. Foi apenas porque ele, acostumado a ser coronel do Ceará, queria acabar com uma greve, assim como acabaria com qualquer outra.
A propaganda eleitoral ficou a cargo de Ciro e de Miguel do Rosário.




