No dia 25 de fevereiro do ano corrente, há pouco mais de três semanas, o Brasil registrou o primeiro caso confirmado de contágio pelo novo coronavírus. Desde então, a doença vem avançando rapidamente em todo o território: são 904 pessoas infectadas e 11 óbitos em decorrência do novo coronavírus. Diante do quadro gravíssimo, ainda mais quando levada em consideração a situação de países como a Itália, que já contabiliza 4 mil mortos e uma curva de desenvolvimento da doença semelhante à brasileira, tem levado a uma série de decisões por parte do Estado.
O problema, no entanto, é que o regime político brasileiro, de maneira semelhante a quase toda a América Latina, se encontra sob o controle dos setores mais reacionários da população, sobretudo após o golpe de Estado de 2016. Com isso, as prioridades do Estado não são, em hipótese alguma, cumprir com os interesses e demandas reais da população, mas sim garantir que, mesmo em um cenário de profunda crise econômica, os capitalistas permaneçam com seus cofres cheios.
E é graças a isso que o sistema de transporte urbano, em todo o país, está sendo modificado rapidamente pelos governos estaduais, a serviço da burguesia. Sob o pretexto de que o Estado precisaria adotar medidas que desincentivasse as pessoas a sair de casa, os governos estaduais estão diminuindo as frotas dos ônibus nas cidades. Em cidades como São Paulo, programas de livre acesso, como o “Passe Livre”, foram suspensos.
Diminuir a frota, contudo, não irá favorecer em nada o combate ao coronavírus. Muito pelo contrário: com menos ônibus nas ruas, a população irá se aglomerar mesmo que o fluxo diminua, voltando à estaca zero e dando continuidade à sofrida crônica dos trabalhadores brasileiros, diariamente enlatados em veículos extremamente precários, o que a tornará ainda mais suscetível ao coronavírus. A demora dos ônibus, consequência natural da retirada de parte da frota, também contribuirá para o avanço da doença, na medida em que as pessoas ficarão ainda mais tempo expostas nas ruas e nos terminais.
Não, os governos não estão diminuindo o acesso ao transporte público para combater o coronavírus. Estão, na verdade, adotando uma medida criminosa que tem como único objetivo favorecer os capitalistas, que não estão dispostos a abrir mão de sua fortuna para poupar a vida dos trabalhadores. Por isso, é necessário organizar os trabalhadores para, mobilizados, enfrentar os governos estaduais, o governo Bolsonaro e toda a burguesia parasita para assumir, pela força, o controle da saúde pública. Fora Bolsonaro e todos os golpistas!



