“Ninguém vai dar o golpe pra cima de mim”, afirmou Bolsonaro. O presidente, fruto do golpe de 2016, dá pulos. Deve lembrar-se dos tempos em que, quando era a Presidenta Dilma Rousseff a estar no olho do furacão, aos quatro ventos proclamava que o impeachment não era golpe. “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”, deve o presidente lembrar do dito popular.
A declaração de que não será alvo de nenhum “golpe”, foi dada na manhã de ontem (dia 2) a um grupo de sua fiel matilha, que, de prontidão, comumente se posta em frente ao Palácio da Alvorada.
Em seguida, Bolsonaro entrou no seu carro. Acelerou. Sumiu. Assessores não souberam informar para onde Bolsonaro ia com tanta pressa.
“O Judas, que hoje deporá [o ex-ministro Sergio Moro], interferiu para que não se investigasse?”, tuitou Bolsonaro, de algum lugar ignorado, referindo-se, à suposta facada de que teria sido vítima, em 2018.
Bolsonaro sente-se sitiado por todos os lados: pelo “centrão”, pelo Supremo, até por Moro, juiz que garantiu a eleição fraudulenta de Bolsonaro, condenando e prendendo sem provas o ex-presidente Lula.
Chumbo trocado dói?
Há uma semana das eleições fraudadas de 2018, vídeo de “Bolsonaro filho” dizia que para “fechar o supremo… você não mada nem um jeep, manda um soldado e um cabo”.
Pressionado pela crise e pela divisão no interior da burguesia, o STF determinou cinco dias para que Sergio Moro fosse ouvido sobre as supostas provas que incriminam Bolsonaro. Mudo, o mito prefere a ira e o ataque contra o ainda popular Moro.
Pressionado, Bolsonaro passou a escancarar o “toma lá, dá cá”, para cooptar o Centrão – ao qual, em 19 de Abril, em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, chamava de exemplo da “velha política” e, ao qual combateria. “Acabou, acabou a época da patifaria”, continuava. “Nós não queremos negociar nada”, arrematava.
Bolsonaro entrega tudo
Sem nenhum constrangimento, Bolsonaro entrega tudo ao Centrão. A Secretaria de Mobilidade, ele entrega ao partido Republicanos, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. O FNDE, Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação, entrega ao PL. A Secretaria da Vigilância Sanitária, ao mesmo Partido Liberal, que pede também o Banco do Nordeste. O Democratas mantém seus três ministério: o da Agricultura, da Cidadania e da Saúde, do qual Luis Henrique Mandetta foi recentemente exonerado.
Nas mãos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), estão mais de trinta pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Maia, ao qual cabe aceitar qualquer um dos pedidos para abertura de processo de impedimento, desconversa: “a prioridade é o enfrentamento ao coronavírus”. Sob pressão, o presidente ilegítimo corre contra o tempo. A Folha de S.Paulo, abriu manchete para anunciar que “Bolsonaro ameaça demitir ministro que não aceitar ceder cargos para centrão”.
“Acabar com a época da patifaria”? “Negociar nada”? Acabar com a “velha política”? Deve ter havido um mal-entendido. É o que deve ter dito ao Centrão, do qual Bolsonaro, por 28 anos, fez parte.
As máfias políticas da burguesia que operacionalizaram o golpe contra o PT, suspira aliviada. Enfim, Bolsonaro foi colocado “na linha”. Foi mesmo?





