É muita cara de pau do próprio Sérgio Moro argumentar que agiu dentro da normalidade quando se fazia passar por juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, justamente a vara de ferrar o PT. Afinal, parece que ele fez faculdade de Direito, deve ter passado em concurso para o cargo que exercia e ainda fez curso lá fora, como ele diz, algo como “Massachutissis”. E seus fãs e aliados golpistas aplaudem e endossam: o que tem de mais o juiz trocar idéias como o procurador (ou promotor)?
Se aqui no Brasil as leis estivessem valendo ou fosse qualquer outro país civilizado do planeta, Moro, Dallagnol e todos os procuradores envolvidos nas tramoias da tal Lava Jato, já estariam presos.
Vamos trocar em miúdos para ver se fica mais fácil para o coxinha entender.
Suponha que, numa partida de futebol, o árbitro dê conselhos para os jogadores de um dos times, de como devem jogar, por onde devem correr e até interferir na escalação do time, barrando algum jogador daquele time que não jogue como ele gosta. O árbitro atua como se fosse dirigente de um dos times ou o técnico. E ainda, antes do jogo começar, mande o craque do outro time, aquele capaz de desequilibrar o jogo, de ganhar sozinho, para fora do campo, pior: para o vestiário, sozinho. E o árbitro ainda apita o tempo todo contra esse time do qual ele expulsou o jogador. Ao final do jogo, quando o time que ele beneficiou ganha, ele é convidado ocupar uma cadeira na diretoria do clube, como prêmio.
O jogo seria ou não anulado?
Agora em juridiquês: o artigo 254 do Código de Processo Penal diz que o juiz tem que “se declarar suspeito”, ou seja, sair do caso, reconhecendo que não será parcial no processo, se for amigo ou inimigo de uma das partes, da acusação ou defesa, ou se der conselhos a qualquer uma das partes.
É notório que o lema da Lava Jato era “peguem o Lula”. Moro, Dallagnol e seus procuradorzinhos amestrados elegeram em rede nacional de rádio e televisão, revistas e jornais, o Lula como inimigo a ser caçado, preso, imobilizado. Bingo! A primeira cláusula do artigo 254 do CPP bateu.
Com a “vaza jato”, como foi carinhosamente apelidada a sequência de reportagens publicadas pelo sítio na internet The Intercept Brasil, com vazamentos das comunicações entre o falso juiz e seus ilegalmente comandados comparsas, saltou aos olhos do público e até da imprensa de direita que lhe deu sustentação, que Moro coordenou o trabalho dos acusadores, deu palpite até na formação do time de inquisidores, orientou detalhes do processo de acusação, montou uma operação de marketing articulada com órgãos da imprensa, comandou até a investigação e as batidas policiais.
Os processos contra o Lula não tiveram juiz. Tiveram só acusação. A defesa não teve chance alguma. O Moro era o chefe da acusação.
Só imagina se viesse a público que o Moro trocava mensagens com os advogados da defesa, orientasse a defesa, escolhesse os advogados que achasse melhores e, ao final, absolvesse o Lula. Imaginou a gritaria?
É muito cinismo da direita.
A direita entende muito bem a gravidade da situação, mas se faz de sonsa, não se comove com esses “detalhes técnicos legais”. A justiça foi usada para dar o golpe em curso, que derrubou a legítima presidenta eleita por 54,5 milhões de brasileiros, sem motivo legal, condenou e prendeu Lula, elegeu Bolsonaro e os outros golpistas, governadores e parlamentares, para prejudicar a classe trabalhadora, as minorias, os pobres e dar o Brasil e seus ativos para o imperialismo, que retribui sustentando essa corja toda com prestígio, presentes e vida boa.
Não é possível contar com a justiça ou outras instituições constituídas. É preciso uma mobilização que tenha como objetivo derrubar todo o regime político.





