Reivindicação pequena, em geral, leva a mobilizações pequenas

Setores da esquerda procuram apresentara ideia que a luta contra o governo Bolsonaro deveria se dar à partir de reivindicações parciais. As direções da esquerda afirmam que a luta específica, contra a reforma da previdência, contra os cortes na educação e assim por diante, seria a melhor maneira de unificar todos os setores da sociedade contra o governo.

Entretanto, trata-se de uma estratégia política totalmente errada. Toda a população está sendo atacada por Bolsonaro. As lutas contra determinadas medidas específicas do governo não detém o potencial de reunir todo o povo em uma mobilização geral contra o governo.

Reivindicações pequenas geralmente levam a mobilizações pequenas. No dia 15 de maio, por exemplo, o ato foi a gota d’água contra todos os ataques do governo golpista, não apenas uma mobilização contra os cortes. Quem mobilizou o ato foram os professores secundaristas e do primário – sendo que os ataques dos cortes contra a educação atingiam principalmente as universidades. Foi um ato político contra Bolsonaro e seu governo.

As pautas específicas reúnem apenas os grupos que estão sendo afetados por essas políticas do governo. Já a realização de manifestações gerais contra os golpistas, à partir de pautas políticas amplas, como a derrubada do governo, a realização de novas eleições e a liberdade de Lula, são do interesse de todos, pois o os ataques da direita e do imperialismo estão atingindo todo mundo.

Na época da Ditadura Militar, durante a crise política do regime nos anos 70, os estudantes se mobilizaram contra a ditadura militar, com a palavra de ordem “Abaixo a ditadura”. Porém, na época, os setores da burocracia estudantil, controlada pelo PCB e PCdoB, tentaram limitar a manifestação dos estudantes em torno justamente de uma reivindicação “contra os cortes nas universidades”.

Esta política foi rechaçada pela maioria dos estudantes, que foram às ruas em todos os cantos do país, com faixas “Abaixo a ditadura”. A luta política geral dos estudantes contra a ditadura militar, no final dos anos 70, incentivou, à partir deste movimento, a mobilização dos operários metalúrgicos do ABC, dos trabalhadores de todo o brasil contra ditadura militar.

Esse movimento geral foi primordial para o fim da ditadura. À partir do movimento dos estudantes contra os militares, os operários levaram adiante uma política ofensiva contra os capitalistas, realizando as maiores manifestações operárias da história do país, desde a greve geral de 1917.

Isso só possível porque as mobilizações adquiriram um caráter geral contra a política dos militares. Sendo assim, é preciso acabar com a ilusão de que apenas reivindicações parciais podem reunir a população contra o governo. Ao contrário do que é pregado pelas direções, a única alternativa de derrotar o governo e os golpistas é através de reivindicações gerais, pela derrubada do governo (que está atacando a todos), por novas eleições (contra a fraude eleitoral) e pela liberdade de Lula.

 

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