Segundo os novos vazamentos de discussões ilegais do juiz Sérgio Moro com os procuradores da Lava Jato, em junho de 2017, um dos procuradores da Lava Jato Ronaldo Queiroz criou um grupo no Telegram para avisar que havia sido procurado pelo advogado de Eduardo Cunha para negociar uma delação premiada. Fazia parte deste grupo o procurador Deltan Dallagnol.
Como se sabe, no Brasil, os métodos arbitrários e corruptos que regem o judiciário permitem que uma pessoa acusada ganhe benefícios, um “prêmio”, em troca de uma delação. Obviamente, como revela o caso Leo Pinheiro, essas delações geralmente são usadas pela justiça para direcionar determinada investigação para um sentido de seu interesse – no caso, prender Lula.
Desta forma, a delação premiada de Pinheiro contra Lula, que depois comprovou-se totalmente fajuta e criada com objetivos políticos, foi aceita pela justiça. Porém, a de Eduardo Cunha, que após liderar o golpe contra o governo petista em 2016, foi preso pela Lava Jato, não foi aceita. Isso tem apenas um motivo: o dono da operação golpista, Sérgio Moro, não quis.
Segundo o procurador Queiroz, Cunha poderia entregar no Rio de Janeiro, com a delação, “pelo menos, um terço do Ministério Público estadual, 95% dos juízes do Tribunal da Justiça, 99% do Tribunal de Contas e 100% da Assembleia Legislativa”. Um verdadeiro tesouro para os paladinos da luta contra a corrupção. Mas mesmo assim Moro não quis, da mesma forma que, em troca com procurador Dallagnol, o ex-juiz afirmou para não expandir as investigações e se manter apenas nos ⅓ que já haviam; assim também, Moro mandou os procuradores não investigar FHC, para não perder um bom aliado.
Enfim, resta saber por que. Quando Moro foi abordado por Dallagnol, no Telegram, para avisar da delação de Cunha, o atual ministro afirmou que esperava que os “rumores de delação de Cunha não procedam”. Dallagnol, como bom cachorrinho de Moro, declarou que manteria Moro a par, e o juiz agradeceu e reafirmou: “Como se sabe, sou contra”.
O fato mostra duas coisas. Primeiro, fica claro que toda essa história de “luta contra a corrupção” não passava de papo furado para enganar trouxas (vulgo, coxinhas). Por outro lado, revela que Moro havia medo do que poderia ser revelado com as delações de Cunha, que poderiam colocar em risco um setor importante da burguesia e burocracia carioca – alguns destes, aliados de Moro. Assim como FHC, algumas pessoas não devem ser investigadas… estranho para a “maior operação anti-corrupção do Brasil”, como afirma a imprensa burguesa.





