Política de extermínio: PM atira 18 vezes contra carro em MG, repetindo o “engano” ocorrido no RJ

Da redação – Mais um jovem negro se torna vítima da política de extermínio bolsonarista. Trata-se de Samuel Rodrigo dos Santos, de 25 anos, que foi alvejado nas costas pela PM de Minas Gerais, em Juiz de Fora, na Zona da Mata, este enquanto passageiro do veículo Citroen C4 Pallas de propriedade do farmacêutico e condutor do veículo, Alexandre José Gonçalves, de 44 anos. Ambos trabalhadores de uma farmácia, voltavam de um curso profissional em Varginha.

O ataque aos trabalhadores se deu às 21h30 do dia 30 de abril, e se prolongou por um trecho de 12 quilômetros na BR 0-40.

De acordo com o motorista, eles trafegavam dentro do limite de velocidade permitido na via, quando um veículo em alta velocidade começou a segui-los com os faróis altos. Pensando se tratar de alguém que queria ultrapassar, levou o carro para a faixa da direita abrindo espaço para a ultrapassagem. Neste momento os policiais já efetuaram dois disparos.

Depois dos primeiros disparos, estes se intensificaram, um dos quais atingiu Samuel na coluna, apenas após vários tiros os policiais ligaram o giroflex e a sirene. Momento em que o condutor parou o veículo no acostamento.

Feita a abordagem e verificado que haviam atingido um cidadão numa suposta perseguição um carro roubado, fizeram o jovem atingido deitar no chão, o puseram numa viatura policial, que o levou a um posto de gasolina, para onde se direcionou uma ambulância do Samu. Esta que não o atendeu devidamente levando-o para o pronto socorro Doutor Mozart Geraldo Teixeira onde foi medicado apenas com analgésicos e permaneceu até a última sexta-feira (3). Somente sendo transferido para a Santa Casa da cidade para a cirurgia de remoção da bala no sábado (4).

O carro foi removido para um pátio do Detran sem passar pela perícia da Polícia Civil.

O motorista do veículo (Alexandre) foi nesse ínterim mantido no posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) até as 14h do dia seguinte, por quase 16 horas. Durante a madrugada pôde presenciar a negociação dos policiais com seu advogado para a fabricação de uma versão que não os incriminassem. Por fim o Boletim de Ocorrência produzido contabiliza 18 balas disparadas, que não havia informação sobre a placa do veículo roubado, que as sirenes foram ligadas antes da abordagem, que o condutor conduzia de maneira perigosa e colocava outras pessoas em risco. Tal fator motivou os militares de plantão a atirarem contra o carro, segundo a versão da corporação.

Prática reiterada, como vimos no caso do fuzilamento com 80 tiros que resultou na morte do músico Evaldo Rosa dos Santos e do catador Luciano Macedo; no assassinato do adolescente de Vitor que brincava com uma arminha de brinquedo no quintal de casa em Florianópolis, as forças de segurança atiram para matar, na confiança de que no atual regime se operou uma evolução dos habituais autos de resistência para a possibilidade de extermínio sumário extrajudicial. A única coisa que por enquanto dificulta sua atuação indiscriminadamente é a sobrevivência das testemunhas.

Política de extermínio da população propugnada diretamente por Bolsonaro e Witzel, naturalmente encontra sua expansão no território mineiro sob Zema. Algo que deixa claro e nos rememora que essa política de execução sumária não se trata apenas de um fetiche fascista, mas de um mecanismo a ser utilizado no seu devido tempo para a perseguição covarde e implacável dos movimentos organizados dos trabalhadores e da população em geral.

Método desenvolvido pela repressão durante a ditadura militar, que em sua generalidade não era praticada por soldados do exército, mas pela PM dos estados a serviço e sem fardas, integrando os grupos de extermínio dirigidos com a participação de delegados civis e oficiais da PM. Algo que vai se tornar ainda mais comum com a aprovação do pacote de legalização da licença para matar patrocinado por Moro.

Cabe a todos nós trabalhadores nos opormos a essa propaganda fascista enquanto ainda é tempo, denunciar cada atuação desses grupos armados e formar agora grupos de autodefesa dentro dos órgãos de trabalhadores conscientes de que chegará o momento em que esta atuação antecipada pode ser a única coisa a nos proteger.

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