O Exército Brasileiro foi às redes sociais homenagear um nazista, o Major Otto. O militar alemão comandou um pelotão na Frente Oriental, contra a URSS, e recebeu uma promoção por “bravura”. A valentia dos nazistas contra o povo soviético consistiu em matar 20 milhões de pessoas, queimar a população de vilarejos inteiros dentro da igreja local e cometer diversas atrocidades, tudo em nome de limpar o mundo das “raças inferiores” e, claro, do combate ao comunismo.
Também foi em nome do anticomunismo que o Exército homenageou o Major Otto. O militar nazista teria sido uma vítima. Primeiro por ficar preso em uma “prisão totalitária” soviética. Depois por ter sido assassinado por um grupo guerrilheiro de esquerda, o Colina.
Apesar da intenção do Exército de fazer uma propaganda anticomunista com o caso, homenagear um nazista acabou caindo mal. Rendeu até nota de repúdio da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, que tinha apoiado Bolsonaro nas eleições.
Propaganda deu errado
Eis que o ataque ao inimigo comum do bolsonarismo e do nazismo, o comunismo, acabou se virando contra os nazistas brasileiros. Diante desse acidente de comunicação, a direita correu para inventar uma desculpa. E se saiu com essa: os nazistas não eram nazistas. Era o caso do próprio Major Otto, por exemplo. Ele lutava no exército nazista, comandando uma tropa nazista, e foi promovido pelos nazistas, mas na verdade ele não seria nazista. Além disso, Major Otto também foi condecorado por Adolf Hitler, o Führer. Antes de tirar conclusões, melhor consultar a direita para saber se Hitler pode ser considerado nazista, ou não.
O jornal direitista Gazeta do Povo chegou inclusive a usar o exemplo de Adolf Eichmann, citando Hannah Arendt, para explicar que nem todo nazista era nazista. “Adolf [Eichmann] usava, entre outros, o argumento de que era apenas um funcionário cumprindo ordens para justificar suas ações – ele era um ser humano comum e não odiava judeus. Ali diante de Eichmann, não estávamos diante de um mal sem relação direta com a maldade ou mesmo com uma convicção ideológica, mas sim diante de um mal mais banal, relacionado à prática daqueles encarregados de executar ordens.”
Concordando-se ou não com as teses de Hannah Arendt, o fato é que o autor desse texto da Gazeta do Povo não entendeu o argumento que citou. E, em qualquer caso, o autor procura apresentar os argumentos de Eichmann como argumentos aceitáveis para isentar os nazistas do nazismo. É um argumento nazista para livrar a cara de nazistas.
Mas vai continuar
Porém, mesmo que essa propaganda do nazismo promovida pelo Exército tenha falhado dessa vez, a verdade é que, sob o bolsonarismo e depois do golpe de Estado de 2016, a direita vai continuar insistindo em sua campanha pró-nazismo. E o tipo de desculpa esfarrapada que estamos sendo obrigados a assistir nesse episódio não passam de uma tentativa de encobrir maliciosamente o caráter nazista da extrema-direita que está no poder.





