PSB

O “socialismo criativo” é o capitalismo

Em artigo publicado pelo portal Brasil 247, Domingues Leonelli, membro da Executiva Nacional do PSB, defendeu o que chamou de "socialismo criativo"

No último dia 11, o portal Brasil 247 publicou o artigo O socialismo criativo do PSB, assinado por Domingos Leonelli. Membro da Executiva Nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Leonelli se dedicou, no texto, a defender a política reacionária que vem sendo levada por seu partido, chegando ao cúmulo de fabricar uma verdadeira aberração da ciência política, a qual denominou socialismo criativo.

Um revisionismo sem pudores

Logo de cara, Domingos Leonelli já deixa claro, no texto, que seu objetivo não é defender a tradição do socialismo científico, inaugurada por Marx e Engels, mas sim apresentar uma doutrina moderna – isto é, adaptada às exigências da burguesia:

O socialismo, desde a revolução Russa, já passou por muitas transformações e recebeu as mais variadas interpretações. Foi implantado, no século XX, como “ditadura do proletariado” em países que compunham a antiga União Soviética, na China, em Cuba, na Coreia do Norte, na sua forma clássica com meios de produção como propriedade do Estado e partido único.

Com a denominação de socialismo democrático governos socialistas transformaram boa parte da Europa no chamado “WelfareState”. Embora sob o regime capitalista, alargaram enormemente os direitos sociais à educação, à saúde, à cultura e a salários dignos. E fizeram isso aprofundando a democracia, taxando fortemente os ganhos de capital e investindo em inovação e tecnologia. Era o “socialismo nórdico”, muito significativo em países como Suécia, Dinamarca, Finlândia e Noruega. Governos socialistas alternaram-se também na França, na Espanha, na Inglaterra (trabalhista) e, agora, em Portugal.

Que há uma tremenda diferença entre regimes como o implantado na União Soviética e na China e regimes como os implantados em países como a Dinamarca, não há dúvida. No entanto, a principal diferença não consiste no modelo de socialismo que foi adotado, mas simplesmente porque a União Soviética passou por uma revolução socialista, que expropriou a burguesia e colocou os trabalhadores no poder, enquanto a Dinamarca e seus vizinhos se viram forçados a fornecer algum tipo de política social para manter a burguesia como classe dominante diante da pressão dos trabalhadores.

A diferença entre a Dinamarca e a União Soviética, portanto, não é o período ou o modelo, mas simplesmente que um país permaneceu sob o controle da classe dominante – isto é, a burguesia -, enquanto o outro assistiu à sua classe operária tomar o poder. Um jamais conheceu o socialismo – o outro, protagonizou a primeira revolução da classe operária no planeta.

O chamado WelfareStateEstado de bem-estar social – foi apenas um mecanismo que a burguesia utilizou em todo o mundo, para impedir uma convulsão social que culminasse na revolução socialista mundial. Assim, o Estado de bem-estar social não implicou em um estabelecimento de um governo socialista na Europa, mas, pelo contrário, permitiu que a burguesia contivesse o avanço do socialismo. Com o avanço da crise econômica, os trabalhadores dos países europeus estão experimentando uma queda vertiginosa no padrão de vida, o que comprova que o Estado de bem-estar social, ao contrário do socialismo, não passa de uma medida fugaz.

Ao flexibilizar o conceito de socialista – colocando no mesmo baú os defensores da organização da classe operária para a derrubada do capitalismo e os governos que deram uma sobrevida aos capitalistas -, Leonelli acaba por transformar o socialismo em uma abstração subjetiva – e, portanto, um recurso para a mais pura demagogia, a ser manuseado por qualquer charlatão que se apresente como defensor de uma sociedade igualitária.

Socialismo latino-americano

Ao contrário do que propõe o autor do artigo, socialismo é um conceito bastante preciso, e nada tem a ver com governos que combinam políticas sociais com afagos aos bancos. Socialismo é a derrubada do capitalismo, a expropriação da burguesia e o controle social sobre toda a produção. Isso, portanto, nada tem a ver com os governos do trabalhismo inglês ou do Partido Socialista Francês, que foram responsáveis, em boa medida, nos últimos anos, pela desindustrialização e pelo desemprego em seus países.

Mas não é só na Europa que Leonelli se confunde sobre o que seria o socialismo. Na América Latina, os governos nomeadamente socialistas pelo dirigente do PSB seriam o Uruguai, a Bolívia e o Chile:

Na América Latina, além de Cuba, socialista mesmo, os socialistas governaram democraticamente, recentemente, a Bolívia, o Uruguai e o Chile com relativo sucesso.

Novamente, puro delírio de Leonelli. Nenhum desses países citados passou por uma revolução e tiveram apenas algumas reformas muito tímidas. O Uruguai da Frente Ampla, com uma política bastante direitista, foi responsável por uma série de privatizações. O Chile de Michelle Bachelet, por sua vez, foi incapaz de reverter os estragos da reforma da Previdência de Pinochet. Aprofundando seus erros na análise sobre a situação latino-americana, o autor critica o país onde as transformações no Estado foram mais profundas no sentido da luta contra o imperialismo:

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