O jornal Valor Econômico publicou um texto em outubro do ano passado, logo depois do primeiro turno das eleições, em que relata a visita da ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, então observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA) para acompanhar as eleições no Brasil, após uma reunião com o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, quando ela declarou: “É um fenômeno tão novo e tão recente, é a primeira vez que em uma democracia estamos observando o uso do WhatsApp para difundir maciçamente notícias falsas, como no caso do Brasil”.
Laura Chinchilla ainda ressaltou que o uso da notícia falsa para manipular a vontade do eleitor por redes privadas “talvez não tenha precedentes”. E observa que desde o primeiro turno advertiu que esse fenômeno induz à violência nas manifestações políticas.
Chinchilla lembrou que as “fake news” foram utilizadas em eleições nos Estados Unidos, mas em “redes públicas”, como Facebook e Twitter, o que permitiu rastrear a origem das notícias. A presidente da missão da OEA argumentou que nas eleições brasileiras, as “fake news” foram disseminadas pelas “redes públicas e privadas“, como o WhatsApp. Isso, segundo ela, surpreendeu as autoridades judiciais e policiais, que foram obrigadas a encontrar instrumentos para combater essa técnica.
Como suposto “instrumento para combater essa técnica”, menos de um ano depois, uma sessão bicameral do Congresso Nacional aprovou a chamada lei contra fake news, inserida no Código Eleitoral, com o voto de 326 deputados e 48 senadores, sendo muitos desses parlamentares de partidos chamados de esquerda.
A partir de agora, em períodos eleitorais, situação que acontece no Brasil de dois em dois anos, entre os meses de julho e novembro, quem acusar alguém de algum crime ou infração, sabendo que acusado é inocente, pode pegar pena de reclusão entre 2 e oito anos, além de multa. A mesma pena também é aplicável a quem espalhar a mentira, por quaisquer meios, sabendo que é mentira.
Mas, por que a preocupação, agora, com a internet, única possibilidade da imprensa alternativa e do pensamento progressista ter chance de ocupar espaço? Seriam os jornais, as revistas, os programas de rádio e televisão as “true news” (notícias verdadeiras)?
Isso é uma grande farsa. As fake news seriam só as redes sociais? Os maiores propagadores de mentiras sempre foram os jornais capitalistas. A chamada “grande imprensa” está acostumada a mentir o tempo todo. Tem “jornalista” que fatura alto dizendo e escrevendo o que é conveniente para os capitalistas. São manipuladores do público a serviço do imperialismo todo dia.
O imperialismo, agora, está preocupado com a concorrência e quer puxar mais esse tapete debaixo dos pés da esquerda, com a ajuda dos próprios esquerdistas inocentes. Toda lei existe para prender pobres e militantes da esquerda.
Todos os veículos de comunicação, as empresas de celulares e até a internet pertencem à burguesia. O espaço que a esquerda tem para expor suas ideias e denunciar a opressão é mínimo. Nem pintar em muros e faixas é mais permitido. Cada vez que os parlamentares de esquerda votam leis que limitem a disseminação de conteúdo, eles prestam um bom serviço à burguesia. O espaço da esquerda fica ainda menor.





