Em artigo publicado no sítio Esquerda online, André Freire, apresentado como coordenador da corrente psolista Resistência, afirma que os acontecimentos do último dia 25 de junho, mostram que “não vivemos de fato uma normalidade democrática”. Segundo ele, três atos que ocorreram naquele dia atestam esta conclusão: o STF negar habeas corpus de Lula, a viagem de Moro aos EUA sem divulgar em agenda oficial e a TV Câmara ter escondido o depoimento de Glenn Greenwald para a Casa.
A conclusão tirada no artigo é a de que esses fatos mostram a importância em se lutar pela liberdade de Lula e pelo fora Moro. Até aí podemos concordar com ele. Mas é preciso explicar que essa “normalidade democrática” que a corrente Resistência do PSOL, que até próximo do golpe que derrubou Dilma fazia parte do PSTU, diz não existir mais na realidade já não existe há algum tempo no País.
E nem estamos falando aqui da democracia, que nunca existiu no Brasil. Uma ditadura da burguesia sobre o povo. Mesmo essa “democracia”, ou essa falta de democracia, que seria a “normalidade democrática” no Brasil, foi destruída não agora, dia 25, mas no mínimo desde que Dilma foi derrubada, desde que começou o processo golpista, por exemplo o julgamento do mensalão em 2012 que prendeu Zé Dirceu e outros dirigentes petistas com as mesmas arbitrariedades cometidas pela Lava Jato.
Para a esquerda pequeno-burguesa, que demorou anos para descobrir que houve um golpe no Brasil – e como o próprio André Freire diz: “ainda existem setores da esquerda, como o PSTU e correntes minoritárias do PSOL, que continuam insistindo que o Impeachment da ex-presidente Dilma não foi um golpe parlamentar” – a “normalidade democrática” deixou de existir só agora.
Essa “normalidade” foi embora com o golpe. Para retomar, ainda que a democracia burguesa farsante que existia no Brasil antes do golpe será preciso derrubar o regime golpista por completo. Começando não por pedir fora Moro, mas fora Bolsonaro, derrubar todo o governo.




