Na ONU, Michelle Bachelet faz coro com a extrema-direita e deturpa a realidade da Venezuela

O aumento da crise capitalista tem funcionado como uma centrífuga política. O ritmo acelerado dos acontecimentos, tem, de fato, propiciado um giro político e delimitado campos que, sob circunstancias habituais, dificilmente podem ser identificados. Nessas condições, portanto, desvela-se o que antes era pura forma ou expressão aparente e, subitamente, expõe-se seu verdadeiro conteúdo.

No curso dos acontecimentos relativos à questão da Venezuela, temos observado um aumento da fileira dos golpistas e lacaios do imperialismo. Todavia, em primeira instância, há de se esperar que toda a movimentação política à direita seja realizada pelos reputados setores da direita golpista, vassala e subserviente. Entretanto, não somente os setores reacionários tem aderido aos interesses do imperialismo, mas, nitidamente, um amplo setor de esquerda tem lhes dado apoio.

Fazendo coro com os golpistas, a alta comissionada para os Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, do Partido Socialista do Chile, denuncia torturas, assassinatos e uma aguda crise social na Venezuela. Bachelet também comenta sobre o colapso dos serviços médicos e educacionais. Segundo Bachelet, as autoridades venezuelanas se recusam a reconhecer as dimensões da “grande crise”, e destaca que as sanções impostas pelos Estados Unidos “podem agravar ainda mais a situação econômica”.

Acerca de supostas denúncias contra ações da Força de Ações Especiais da Polícia Nacional (FAES), respaldadas pelos “coletivos armados”, Bachelet conclui que os assassinatos seguem um padrão semelhante e ocorrem através de buscas ilegais das casas inspecionadas, onde são relatadas mortes como resultado de um confronto armado, embora testemunhas relatem que as vítimas estavam desarmadas.

Paralelamente à conferência de Bachelet, foi reproduzido um vídeo sobre um “suposto” centro de tortura da polícia. Neste vídeo, o tenente de aviação Ronald Dugarte, antigo membro da Direção-Geral de Contra-Inteligência Militar (Dgcim), que hoje encontra-se desaparecido, mostra uma gravação clandestina típica das encenações propagandistas dos EUA. Estranhamente, Dugarte afirma que não tinha acesso aos “centros de tortura”, mas podia ouvir os gritos e lamentos de dor. Ademais, durante o vídeo, Dugarte lê continuamente o que fala em seguida; como se seguisse um roteiro pré-estabelecido. Toda a panaceia foi realizada por Skype e assistida pelo Secretário-Geral da OEA, Luis Almagro, um dos apoiadores do golpe contra a Venezuela. Em contrapartida, podemos afirmar, de forma resoluta, o caráter fascista da direita venezuelana, quando, em 20 de maio de 2017, o jovem negro Orlando Figuera foi pego em uma emboscada no bairro burguês de Altamira, em Caracas, e teve seu corpo incendiado por mercenários da direita que o atacaram acusando-o de ser chavista. O prenúncio revelador do fascismo candente na Venezuela ficou muito claro em 2002, quando foi dado um golpe de Estado com total apoio dos EUA contra o governo de Hugo Chávez, e que durou 47 devido à intensa mobilização popular favorável à Chávez.

Bachelet ainda afirma, como resultado direto dessa profunda crise de direitos humanos, mais de três milhões de pessoas fugiram da Venezuela em busca de comida, assistência médica, trabalho e proteção”. “O sistema de saúde continua a deteriorar-se, repercutindo consideravelmente na mortalidade materna e infantil e na disseminação de doenças infecciosas, que antes estavam sob controle”, complementa. Aqui, vale a pena frisar o verdadeiro conteúdo da “profunda crise de direitos humanos” declarada pela ex-presidenta do Chile. Trata-se, portanto, das consequências do congelamento de um bilhão de dólares do Estado venezuelano para aplicação na guerra contra a própria Venezuela, financiando todos os ataques contra o governo de Maduro. Em suma, podemos resumir as pretensões dos golpistas da seguinte forma: objetivo central da política imperialista é promover um colapso econômico na Venezuela. Para isso, recorrem à ingerência, sabotagem, violência e ao terrorismo. A Venezuela tem sido atacada tanto pelo imperialismo norte-americano quanto por seus lacaios regionais como a Colômbia, e também internamente, por intermédio de Guaidó.

Após intensa campanha em favor dos interesses do imperialismo, Bachelet utiliza o verniz da crítica consentida e afirma que o panorama vigente será pelas sanções impostas pelos EUA. Todavia, volta a afirmar, erroneamente, que a “crise econômica e social generalizada e devastadora” começou antes das sanções dos EUA. Já criticamos aqui, neste mesmo diário, a falsa afirmação de Bachelet.

Acompanhe a notícia:

>>> https://www.causaoperaria.org.br/onu-reconhece-que-bloqueio-imperialista-destroi-a-venezuela-mas-apoia-esse-mesmo-bloqueio/#builder_active

Tendo em vista as seguidas capitulações e confusões dentro da própria esquerda no tocante à declaração de guerra do imperialismo contra a Venezuela, é preciso denunciar o séquito destes setores diante dos interesses dos golpistas. Nesse sentido, ante a política de rapina do imperialismo e do subsequente acoplamento de diversos setores, inclusive esquerdistas, à subordinação de seus próprios tiranos, é preciso levantar as palavras de ordem: Abaixo a invasão da Venezuela! Fora imperialismo da América Latina!

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