Mobilizar, nas ruas, contra o roubo da Previdência: Fora Bolsonaro!

Já no começo da madrugada dessa quarta (dia 7), a Câmara dos Deputados aprovou em segundo turno, por 370 votos a favor, 124 contra e 1 abstenção, o texto-base da proposta de emenda à Constituição da reforma da Previdência, que estabelece um roubo de mais de R$ 900 bilhões de dezenas de milhões de trabalhadores, em 10 anos, a pretexto de cobrir um déficit inexistente da Previdência e permitir que bancos e grandes capitalistas não são continuem sem pagar o que devem ao setor, como também uma nova parcela da renda do trabalhador que será expropriado dos salários (aumento dos descontos), das aposentadorias e pensões (que serão reduzidas) ou pela morte sem se aposentar de milhões de trabalhadores.

A sessão que aprovou a “reforma” durou mais de 6 horas e, na tarde e noite dessa quarta (dia 7), deputados ainda apreciavam emendas supressivas apresentadas pela oposição, sem qualquer expectativa de que elas viesses a ser aprovada.

A proposta aprovada na Câmara vai agora à tramitação no Senado Federal, onde também terá que ser aprovada em dois turnos de votação.

Sob aplausos da maioria direitista, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) – eleito com votos de setores da esquerda como o PCdoB, direita do PT e PDT; e apontado por Bolsonaro como o “general da reforma”-  proclamou o resultado da votação principal à 0h38 desta quarta-feira (7), depois Resultado de imagem para votação segundo turno reforma da previdenciade cinco horas de um falso debate, na realidade, discursos que são incapazes de alterar a posição de parlamentares eleitos – em sua maioria – por poderosas máquinas empresariais e políticas, justamente para aprovar todo tipo de violação e eliminação de direitos dos trabalhadores em favor dos grandes capitalistas.

A “encenação” de que haveria um debate teve todo tipo de tentativa manobras e golpe regimentais, mas – obviamente – só vigoraram aqueles que atendiam aos interesses da maioria direitista, comandada pelo “centrão” e por Maia. Como a decisão de que suspender a decisão de que seriam necessárias a realização de cinco sessões entre o primeiro e o segundo turno.

A pressa em aprovar, a toque de caixa, a “reforma” – que não tem efeito imediato em uma série de aspectos (e sobre a economia como se procura apresentar na propaganda enganosa de sua defesa), evidencia o receio de que os parlamentares e todo o regime político têm do crescimento da revolta popular contra o governo ilegítimo de Bolsonaro e contra todo o regime golpista, que cresce de forma diretamente proporcional ao aumento da crise e dos ataques do governo contra os explorados.

A expectativa da direita é aprovar o roubo da Previdência no Senado, até o próximo mês.

Para facilitar ainda mais o voraz apetite dos deputados da direita de cassar direitos dos trabalhadores e favorecer os verdadeiros donos dos seus mandatos, o governo ainda anunciou a liberação de cerca de R$ 3 bilhões de emendas de parlamentares (parte de um montante que deve se situar em toro de R$ 6 bilhões, uma média de R$ 20 milhões por deputado agraciado). Nas “negociações”também entram milhares de cargos comissionados e outras medidas da “nova” política, que a direita fascista diz defender. Assim os “nobres” deputados da direita ainda são bonificados por fazerem aquilo que mais gostam: atacar os trabalhadores.

A situação reafirma o fracasso total da politica de “pressão” sobre os deputados e de aliança com setores da direita e da “esquerda” golpista sob o pretexto de que isso serviria como caminho para defender os interesses dos trabalhadores.

Mais uma vez, os pretendidos aliados da “frente ampla” (pretendida pelo PCdoB, setores da direita do PT, PSOL etc.) ajudaram a confirmar a aprovação da “reforma”. PDT e PSB deram parte de seus votos (mais de 25%) para a proposta da direita; o PSDB e o Solidariedade (de Paulinho da Força), votaram em peso na proposta de degola das aposentadorias, dentre outros.

Fica confirmado que para derrotar os ataques do governo golpista aos trabalhadores é necessário mais do que uma política de oposição parlamentar e eleitoral. É preciso uma mobilização popular nas ruas. Com mobilizações de massa, como as que precisam ser realizadas no próximo dia 13, e como foram as mobilizações em maio e a greve geral em junho.

Outro ponto importante é que as manifestações não se concentrem em pautas específicas de rejeição às medidas implementadas por Bolsonaro. Por exemplo, protestos que sejam só contra a “reforma” da Previdência, ao mesmo tempo em que são canalizados para servirem de mero instrumento de pressão parlamentar. Assim que os senadores aprovarem de vez a reforma, isso aparecerá para os trabalhadores como uma derrota das ruas. E as pautas dispersas tendem a ser uma coleção dessas derrotas se essa política continuar.

É preciso uma reivindicação que ataque o governo como um todo, servindo de oposição a todas as políticas e à sua própria continuidade. Por isso e o momento de levantar o Fora Bolsonaro, para enfrentar o governo e para efetivamente levar o regime a ficar em xeque confrontado pelas grandes mobilizações e pelos trabalhadores organizados.

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