Marcha da fraude demonstra encolhimento da direita

No último domingo (30), tivemos mais uma tentativa fracassada de mostrar que o Golpe tem apoio popular. Em algumas cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, a burguesia somou esforços para lotar locais centrais, mas só conseguiram fazer algo ainda menor do que feito no dia 26 de maio. A situação pós os vazamentos da Lava Jato deixou o governo e a operação arrasados. A desmoralização do processo golpista no Brasil pode deixar tudo a perder para a burguesia.

Para analisar a situação é preciso entender que o governo Bolsonaro é um consequência direta da prisão de Lula, que só foi possível através da operação Lava Jato, fortalecida pelo processo de impeachment da Dilma. Essa cadeia de eventos compõe o golpe que o Brasil vem sofrendo, mas não constituem o processo inteiro. O esforço para derrubar Dilma, prender Lula e adestrar Bolsonaro só faz sentido quando sabemos que a objetivo final é a submissão da economia nacional aos banco internacionais e a drenagem das riquezas do Brasil. O Golpe no Brasil faz parte de uma série de golpes orquestrados para sustentar a burguesia imperialista norte americana.

Uma operação de tamanha envergadura não se manobra com facilidade, e embora os golpistas tenham tido êxito em seus objetivos até o presente momento, nota-se cada vez mais uma reação popular e um enfraquecimento da base de apoio cogitada pelo imperialismo para dar sustento ao Golpe.

As manifestações da esquerda têm aumentado cada vez mais desde o impeachment de Dilma. Se na época muitos tinham medo de serem agredidos na rua por portar vermelho, desde a prisão de Lula a situação em geral tem mudado bastante.

No final de 2017, Lula agitou o país com sua caravana através o país, isso culminou em milhares de pessoas em Porto Alegre contra a sua condenação pelo TRF-4, e em seguida, numa campanha relâmpago, pessoas do Brasil inteiro se deslocando para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em São Bernardo para contrariar o mandato de prisão do ex-presidente. Em seguida tivemos a manifestação pelo registro da candidatura de Lula em Brasília, e a mobilização da esquerda só aumentou até que o PT deixou a candidatura do ex-presidente de lado e optou por Haddad, o que, junto à fraude eleitoral promovida pelo STF e pelo TSE, culminou numa derrota acachapante do Partido dos Trabalhadores. Nesse momento até o carnaval desse ano o movimento teve um pequeno refluxo, porém logo logo voltou a crescer para responder o governo recém eleito e sua política devastadora.

Desde então tivemos as manifestações de 15 de maio, o 30 de maio e a paralisação geral de 14 de junho, enormes demonstração de forças contra o atual governo.

Do lado da direita, os fracassos são contínuos, e embora ainda estejam no controle da situação política, nota-se uma enorme dificuldade em manter a crise sob controle. A própria burguesia está dividida e a agonia para aprovar a reforma da previdência o quanto antes está piorando ainda mais a situação.

Para camuflar a crise, a burguesia promoveu algumas manifestações que apenas comprovaram o esvaziamento de sua política. No carnaval a tentativa de fazer um bloco pró Bolsonaro, em resposta aos gritos populares mandando o Bolsonaro para aquele lugar, fracassou miseravelmente, assim como as manifestações do dia 26 de maio e do último domingo.

Mesmo com a soma dos recursos mobilizados pela burguesia, que proveram uma enorme infraestrutura às manifestações, além do esforço de mobilizar ilegalmente os funcionários de empresários para irem nos atos sob ameaça de perderem o emprego, vimos que cada vez mais as ruas se encontram vazias, a direita se encolhe e se pulveriza diante a crise.

Nem a campanha da imprensa é suficiente para mascarar o total fiasco de apresentar um apoio popular. Mesmo com números super inflados e fotos manipuladas, ainda sim os atos de domingo parecem pequenos, e definitivamente menores do que os malogrados atos do dia 26 de maio.

O terreno está fértil para a esquerda que ousar derrubar o governo.

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