Um dos mais importantes veículos de comunicação do imperialismo estrangeiro é o jornal espanhol El País. Surpreendentemente, um setor da esquerda brasileira procura caracterizar este jornal como se fosse progressista, até de esquerda. Ledo engano. Em longa matéria publicada no sítio do El País, o jornal, um dos que está supostamente na campanha contra as “Fake News” divulgou uma notícia falsa : que os atos bolsonaristas do último sucesso, um fracasso retumbante, teriam sido na verdade a demonstração da força do governo Bolsonaro!
Isso não passa de mais uma falsificação da imprensa capitalista, não só brasileira mas internacional. A matéria apresenta as opiniões de alguns “especialistas”, que fazem uso de todo tipo de malabarismo intelectual para mostrar o poder do bolsonarismo. É impressionante, mas este tipo de campanha do PIG – o Partido da Imprensa Golpista -, embora seja uma farsa evidente, exerce uma influência sobre a esquerda. Devemos afirmar em alto e bom som: os atos bolsonaristas foram um fracasso retumbante. Os dois maiores atos bolsonaristas, de São Paulo e do Rio de Janeiro, juntaram se muito 10 mil almas no total neste último domingo. Em ambos os casos tivemos companheiros que compareceram aos atos à paisana e que puderam constatar a baixa adesão destes atos.
O El País não chegou ao ponto de dizer que os atos bolsonaristas foram maiores do que os do dia 15, o que seria uma mentira muito descarada. Vejamos, para começo de conversa, os atos do dia 15 ocorreram em todos os estados do Brasil mais o Distrito Federal. Já os bolsonaristas aconteceram em apenas 12 estados, e em muitos deles foram um fracasso, como nem a direita pôde esconder. No entanto, a própria cobertura da imprensa capitalista acabou revelando a ausência de público. As fotos aéreas, por mais bem selecionadas que fossem, não permitiram sustentar a fraude de 300 mil na Paulista ou 100 mil em Copacabana, no Rio. Também circularam pela internet fotos de outros atos, como por exemplo uma onde não se deram o trabalho nem de retirar o papa móvel no Rio de Janeiro! Se formos levar em consideração que, assim como em 2015, a direita procurou convocar os coxinhas a irem para as ruas veremos que na verdade a base social de Bolsonaro, que nunca foi muito grande, vem na realidade se desmanchando.

A matéria do El País, como afirmamos anteriormente, apresenta uma série de argumentos acadêmicos, que servem apenas para iludir o público. Ela chega ao ponto de comparar o bolsonarismo ao lulismo e ao chavismo. Esses argumentos, embora possam enganar os mais incautos, não passam de pura enrolação. Não há nenhuma caracterização das ideologias desses fenômenos, apenas termos como populismo e nacionalismo, bem ao gosto da demagogia direitista, que chega a classificar o fascismo como sendo de esquerda.
Tanto o lulismo quanto o chavismo são amplos movimentos, que contam com um forte apoio da classe operária. O bolsonarismo, por outro lado, nunca teve uma presença massiva, entre os trabalhadores a sua presença é residual. A verdadeira base social de sustentação para Bolsonaro e a extrema-direita é a pequena-burguesia direitista. As análises são tão forçadas que procuram comparar Bolsonaro e Chávez enquanto líderes nacionalistas, ignorando totalmente que, enquanto Bolsonaro é um nacionalista de fachada, sendo na verdade um capacho do imperialismo norte-americano o chavismo é um movimento popular que verdadeiramente procura defender os interesses da Venezuela, como no caso do petróleo por exemplo.
Não se pode de forma alguma menosprezar Bolsonaro e a extrema-direita, mas ao mesmo tempo não podemos cair na propaganda do PIG. Os atos pró Bolsonaro do dia 26 foram um fracasso monumental e expressam a crise do atual estágio do golpe. Devemos destacar também que esta campanha, que não é feita apenas pelo El País, é uma tentativa da direita de enganar a esquerda e colocá-la na defensiva. Não podemos embarcar nessa canoa furada, o governo golpista de Bolsonaro está cada vez mais fraco, como os atos puderam comprovar e a esquerda e as organizações operárias e populares devem aproveitar essa oportunidade para mobilizar pelo “Fora Bolsonaro” e a convocação de Eleições gerais, colocando assim o golpe em xeque.




