Segundo informações da Revista Forum (11/10/2019), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) teria acatado pedido da senadora do PDT de Tocantins, Kátia Abreu, e deverá retirar o procurador Deltan Dallagnol do controle da força tarefa de Lava Jato em Curitiba.
O pedido de Abreu teve o apoio de setores do centrão no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso, revelando uma verdadeira crise política no interior da burguesia golpista. A senadora relembrou a derrota da Lava Jato com a tentativa de criar um fundo da Lava Jato com o dinheiro “recuperado” da Petrobras – medida que foi proibida pelo STF, na época.
Proteger a Lava Jato
Porém, como afirma a própria senadora, trata-se de uma medida para “salvar a Lava Jato”. Dallagnol está totalmente queimado por conta dos vazamentos de conversas entre ele, Sérgio Moro e outros procuradores da Lava Jato, em que fica explícita a fraude que foi a operação que prendeu Lula. Entre outras coisas, além de ter atuado junto ao juiz Moro, Deltan também procurou enriquecer com a prisão do ex-presidente e buscou acordo com instituições financeiras, mostrando a parcialidade da operação.
Desta forma, a burguesia, para manter a Lava Jato, poderá abrir mão de uma das principais figuras da operação golpista justamente para protegê-la. Setores da burguesia, com a inevitável crise da Lava Jato, querem salvá-la, apresentando que são apenas alguns elementos da operação que são ruins – Moro, Dallagnol, etc. Isto é, querem uma Lava Jato sem os setores em que está focalizada a crise, porque querem manter a política de perseguição a esquerda e a setores da burguesia nacional.
Burguesia ainda aposta em Dallagnol
A revista golpista, porta-voz dos interesses da direita, Veja, declarou que “Deltan Dallagnol será mesmo retirado do comando da Lava-Jato. O Conselho Nacional do Ministério Público topou fazer o serviço encomendado por uma ala de senadores e ministros do STF.” Ou seja, é fato consumado.
Porém, deixam muito claro que a burguesia ainda aposta em Dallagnol, por conta do trabalho sujo já realizado pelo procurador. Segundo a revista, “o procurador-geral da República Augusto Aras estuda convidá-lo a chefiar uma força-tarefa de combate ao narcotráfico”, um dos principais pretextos do Estado burguês para o aumento da repressão contra a população.
A ideia, porém, ainda gera crises no interior da burguesia. A revista afirma que “a ideia inicial era tentar levar Deltan para Brasília, onde ele atuaria na própria PGR. Mas os defensores dessa saída foram logo convencidos pelos adversários de Deltan de que sua presença poderia causar problemas com o STF”. Estão buscando uma solução para Dallagnol, afinal ele cumpriu seu dever prendendo Lula e dando o golpe.





