A extrema-direita espalhou uma notícia falsa nas redes sociais afirmando que PT, Psol e o MTST teriam pedido uma “intervenção” na Amazônia ao presidente da França Emmanuel Macron. O portal Jornal da Cidade Online chegou a pedir que dirigentes da esquerda que teriam assinado tal pedido de “intervenção” fossem enquadrados sob a Lei de Segurança Nacional. Uma perseguição política típica de fascistas, com a tentativa de usar uma lei ditatorial para prender representantes políticos dos trabalhadores. A perseguição da extrema-direita deve ser denunciada e rechaçada, e a extrema-direita deve ser combatida pelos trabalhadores e suas organizações.
Cabe, no entanto, fazer algumas considerações sobre o documento que de fato foi assinado por lideranças e deputados de esquerda, que foi usado pela extrema-direita para produzir uma notícia sensacionalista e falsa e alimentar o clima de perseguição política. Em julho, o jornal de esquerda francês Libération publicou um manifesto apelando ao governo francês que não fechasse o acordo de livre comércio entre União Europeia e o Mercosul. O próprio governo francês já considerava não fechar o acordo por causa da política ambiental do golpista Jair Bolsonaro, e os governos da Alemanha e Noruega tinham retirado sua contribuição do Fundo Amazônia.
Macron salvador da Amazônia?
O problema do documento é pedir a Macron que tome medidas para proteger a Amazônia. É um erro tremendo imaginar que um governo imperialista teria qualquer interesse em vir salvar árvores e animais em uma floresta de uma país atrasado. Não se trata disso, o objetivo do imperialismo é usar a questão ambiental como um pretexto para começar uma política de ingerência na floresta amazônica, que representa 59% do território nacional. Ao pedirem “ajuda” de Macron no manifesto publicado no Libération, Gleisi Hoffmann, Ivan Valente, Guilherme Boulos, David Miranda e João Pedro Stédile reforçam uma campanha do imperialismo.
Não adianta esperar a ajuda do imperialismo para proteger o meio ambiente. O próprio governo Macron é responsável por parte da Amazônia, dentro do território da Guiana Francesa, uma colônia francesa na América do Sul típica do colonialismo do século XIX, e não protege a Amazônia nesse território. Caso o imperialismo consiga tomar conta da Amazônia, será para explorar a região. Com potencial, inclusive, para provocar uma devastação muito maior.
Além disso, essa política também visa impedir que o próprio Brasil explore e ocupe essa região, um vasto território dentro do País. Ou seja, visa criar um entrave para o desenvolvimento nacional. Nas mãos do imperialismo, a questão ambiental não passa de demagogia.
Por isso não se deve pedir nenhum favor ao imperialismo, que em todos os sentidos pode ser muito pior para o País do que o próprio Bolsonaro, e será, se tiver oportunidade. Foi o imperialismo que organizou o golpe que levou Bolsonaro ao poder, para começar. Contra Bolsonaro é necessário mobilizar os trabalhadores, chamar a população às ruas, opor-se à política da extrema-direita a partir das organizações operárias dentro do Brasil.





