Quando a burguesia decide iniciar uma ofensiva contra os trabalhadores, aumenta a polarização política. Enquanto em um primeiro instante os operários se sentem acuados, em momentos posteriores começa a vir um contra-ataque da classe trabalhadora; consequência do aprendizado politico e da necessidade de unificar a luta. Enquanto nas cidades os sindicatos saem de uma completa inércia política e esboçam uma greve geral de um dia; no campo não é diferente, assim o Movimento dos Sem Terra (MST) também intensifica a luta política, ocupando três latifúndios improdutivos na Bahia. As ocupações ocorreram no mesmo dia da greve geral realizada no dia 14 de junho. A luta no campo e na cidade tem tendência de se fortificar, e assim deve ser feita.
A primeira fazenda ocupada (Fazenda São Cosme, no Orojó) foi um latifúndio abandonado de 160 hectares de terra, ao qual foi ocupada por 150 famílias, essas famílias pretendem cumpri a razão social da terra, ou seja, produzir alimentos saudáveis ao consumo humano. Cerca de 160 famílias reocuparam o acampamento Mãe Terra em Boa Vista do Tupim, na Chapada Diamantina. Anteriormente chamada de Santa Fé, a fazenda foi ocupada pela primeira vez em 2011. Com o acampamento já descriminalizado pela Coordenação de Desenvolvimento Agrário, uma decisão judicial desabrigou no dia 11 de junho de 2019 cerca de 80 famílias, atendendo ao pedido de reintegração de terra de uma única pessoa. Como o poder judiciário age de forma ideológica contra o MST, um juiz ordena que a polícia expulse cerca de 80 famílias que já produziam alimentos no local. A resposta veio em 3 dias, em um posicionamento político exemplar do MST, demostrando o poder dos trabalhadores rurais, a fazenda foi reocupada. Iracema (Iramaia, Bahia) foi o terceiro latifúndio a ser ocupada. Com 2243 hectares, a fazenda foi reocupada por 160 famílias associadas ao MST. O município de Iramaia já teve um dos líderes locais do MST assassinado por jagunços, o jovem Márcio Matos morreu em sua própria casa, na frente do filho, com vários tiros.
As três ocupações são as primeiras ocorridas desde de a posse de Bolsonaro nas eleições fraudulentas que ocorreram em 2018, principalmente devido a retirada do candidato que ganharia a eleição, o ex presidente Lula. Segundo Jeanderson Souza, articulador político do MST no Baixo Sul da Bahia “A atual conjuntura de retrocesso para a classe trabalhadora, faz a luta por soberania mais do que necessária no país”. Além dos latifúndios ocupados, o MST também bloqueou no mesmo dia 18 rodovias junto com Frente Brasil Popular. Seis dias antes da geral de 14 de junho, o MST juntamente com 50 movimentos sociais ligados ao campo, se reúnem para construir uma plataforma unitária.
O Partido da Causa Operária saúda e incentiva a intensificação da luta pela terra. É fundamental ocupar mais latifúndios, por em cheque o atual sistema de “capitanias hereditárias” brasileiro e derrotar todos os aliados ao governo de Bolsonaro no campo. Somente o enfrentamento pode barrar a continua política de assassinato dos trabalhadores rurais. Em um país onde um helicóptero, com 500 quilos de pasta base de cocaína, posa em um dos onze aeroportos de um ministro da agricultura, somente os trabalhadores rurais podem reagir contra esse sistema governamental e burguês.




