Camponeses bloquearam nesta segunda-feira (10) a Ferrovia Norte-Sul, em Palmeirante, no Tocantins, para pressionar pelo atendimento das reivindicações da reforma agrária. A região possui uma longa história de conflitos entre famílias camponesas e grandes proprietários de terra.
Não é a primeira vez que os trabalhadores utilizam a ferrovia para obrigar as autoridades a responder às suas reivindicações. Em 2017, cerca de 350 camponeses, quilombolas, mulheres, jovens e crianças ocuparam o mesmo trecho depois de mais de 20 reuniões com órgãos públicos que não produziram solução para os conflitos fundiários da região.
Na época, a Articulação Camponesa de Luta pela Terra e Defesa dos Territórios denunciava áreas públicas apropriadas irregularmente, ameaças de despejo e processos de criação de assentamentos parados pelo Incra. A valorização da terra ao redor da Ferrovia Norte-Sul aumentou ainda mais a pressão dos grandes proprietários e das empresas sobre as famílias camponesas.
Os conflitos continuam. Em maio deste ano, a Justiça encerrou definitivamente uma disputa envolvendo o Lote 83 da Gleba Anajá, em Palmeirante, anulando um título particular incidente sobre uma área reconhecida como terra pública da União. As famílias da Comunidade Vitória lutam pela área desde 2008.
Também neste ano, a Articulação Camponesa voltou a exigir reforma agrária, regularização dos territórios e medidas contra a violência no campo. Entre as comunidades que assinaram suas reivindicações estão Boa Esperança, Gabriel Filho, Deus é Grande e Santo Antônio Bom Sossego, todas de Palmeirante.
Enquanto as famílias esperam anos pela terra, o município é tratado pelos grandes capitalistas como ponto estratégico para a expansão do agronegócio. A VLI e a ETG anunciaram uma fábrica de fertilizantes conectada à Ferrovia Norte-Sul, enquanto novos terminais destinados ao escoamento de grãos são preparados para concessão.





