A Folha de S. Paulo publicou na última segunda-feira (22) uma pequena nota informando que Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), contratou militares como assessores da entidade. A informação é apresentada em uma frase, quase escondida, de forma lateral: “Skaf teria apoiado a chapa rival a Synésio na ABNT e, por isso, foi chamado de traidor, segundo um dos presentes. Na briga, Synésio teria contestado ainda a contração de militares pela Fiesp. Disse ver nisso uma tentativa artificial de aproximação com Bolsonaro.”
A FIESP é a principal entidade representativa oficial reunindo capitalistas no Brasil, e foi uma das principais agentes do golpe de 2016 (assim como também em golpes anteriores). A “assessoria” de militares indica, de fato, uma aproximação da entidade com o bolsonarismo e a adesão de amplos setores da burguesia à extrema-direita. A Fiesp apoiou o golpe para tirar o PT do governo e aplicar um brutal programa neoliberal no país. Agora, com Bolsonaro no governo, a FIESP vai apoiar ativamente a aplicação desse programa.
Como representante dos capitalistas industriais, a FIESP quer se recuperar da crise capitalista intensificando a exploração dos trabalhadores. Bolsonaro tem um programa de retirada dos direitos trabalhistas que atende a esse interesse dos patrões. Para aplicar esse programa, no entanto, o governo se coloca em choque com a população e precisará de apoio política e repressão. A FIESP aparece para apoiar esse programa e essa repressão.
Não foi à toa que a FIESP ajudou a organizar os coxinhatos durante a campanha golpista e usou seu prédio para intervir nos protestos expondo a bandeira do Brasil e slogans da direita golpista. Tratava-se então de uma campanha consciente contra a classe trabalhadora para compensar, do lado dos patrões, o preço da crise.
A aproximação mais direta com o bolsonarismo, porém, causa embates também dentro da FIESP. Essa é mais uma manifestação da divisão da burguesia que se manifesta em muitos lugares em torno da questão do governo Bolsonaro. Essa divisão interna e a crise do governo devem ser aproveitados para a mobilização contra a direita enquanto há uma tendência favorável e de luta.





