Os participantes da 2ª Conferência Nacional dos Comitê de Luta Contra o Golpe, reunidos nos dias 14 e 15 de dezembro, discutiram e deliberaram um conjunto de resoluções que irão nortear o encaminhamento das lutas para o próximo período, o ano que se aproxima de 2020, quando importantes acontecimentos deverão marcar o calendário da luta de classes no Brasil, no continente e também em todo o mundo.
Um dos aspectos mais importantes de toda a pauta da Conferência se deu em torno da luta pelo “Fora Bolsonaro” e a estratégia de enfrentamento à extrema-direita, movimento que cresce em todas as regiões do País, ainda de forma incipiente e com graus diferenciados de organização, mas que representa uma grave ameaça a todo o movimento operário, aos movimento de luta do campo e da cidade e à esquerda de uma forma geral.
Não é mais possível fazer vistas grossas para este fenômeno ameaçador, que já atua à luz do dia, contando com o beneplácito das instituições do próprio Estado, da Polícia, da Justiça, dos meios de comunicação golpistas e agora, oficialmente, com a adesão direta do presidente da República, o fraudulento Jair Bolsonaro, que acaba de lançar um movimento pela fundação de um novo partido (Aliança pelo Brasil), do qual não houve qualquer preocupação em ocultar (ou mesmo disfarçar) o caráter abertamente fascista de sua plataforma e seu programa.
Ainda neste mês de dezembro, no dia 9, um grupo de pessoas realizou um ato no centro de São Paulo para dar vida ao Integralismo, movimento de caráter abertamente fascista, de direita, que tenta se reorganizar anunciando que irá participar das eleições de 2020, com candidaturas próprias. O movimento tem seu primeiro congresso marcado para o próximo ano. Os integralistas participarão das eleições municipais abrigados na legenda do PRTB, do conhecido direitista Levy Fidélix.
No entanto, o fato mais grave de todos, para além das iniciativas da extrema-direita, é a mais completa e total passividade da esquerda nacional, que insiste em não reconhecer o perigo que se avizinha representado pelo crescimento da extrema-direita em todo o País. É estarrecedora a posição da esquerda nacional, seus partidos, os sindicatos, federações e confederações. Não há qualquer iniciativa séria e convincente por parte de todo um setor da esquerda em organizar a luta contra Bolsonaro, seu governo de destruição nacional, os golpistas e a extrema-direita.
Nesta perspectiva, em oposição a esse inaceitável estado de paralisia e de prostração, a 2ª Conferência Nacional deliberou pela criação de 500 comitês de luta contra o fascismo e a extrema-direita, em todas as regiões do País, em todas as principais cidades e capitais. Não há outra forma de enfrentar e derrotar o avanço e a ofensiva da extrema-direita a não ser através dos comitês de luta e autodefesa, que reúna centenas de milhares de trabalhadores e ativistas, de estudantes, de mulheres, de negros e toda a população explorada, que sente no dia a dia os ataques do governo fascistóide de Bolsonaro, dos golpistas e do imperialismo.
Esta é a resposta que deve ser dada ao crescimento da extrema-direita, a única que pode ser eficaz na luta contra o fascismo e abrir uma etapa de lutas vitoriosas das massas contra o governo do grande capital, da extrema-direita e do imperialismo. Aguardar pelo calendário eleitoral e pelas eleições controladas pela burguesia e pelos tribunais golpistas é condenar a luta social à derrota e à desmoralização.
Portanto, não há um só minuto a perder. A tarefa do momento é concentrar esforços para fazer evoluir a consciência das massas não só no sentido de lutar pelas suas reivindicações imediatas, mas para projetar a luta social no País no sentido do enfrentamento com o governo golpista, com as forças reacionárias. Os comitês de luta e autodefesa devem cumprir este papel, de organizar e realizar campanhas em defesa dos explorados, em defesa dos direitos democráticos da população, em defesa da anulação de todos os processos contra o ex-presidente Lula, pela derrubada do governo ilegítimo de Bolsonaro.





