No último dia 25, em Brasília, reuniram-se dirigentes da CUT e demais “centrais” e deliberaram convocar um Dia Nacional de Mobilização, no próximo dia 12 de julho.
Foi o segundo encontro dos sindicalistas após a o êxito das mobilizações do dia 14 de junho, “greve geral”, que deve ser creditado quase que integralmente na “conta” da CUT e da esquerda que impulsionou a mobilização em sintonia com a crescente revolta dos trabalhadores e da juventude contra o governo Bolsonaro e seus ataques, enquanto os pelegos, ampla maioria na direção das “centrais” ligadas à poderosas organizações patronais e partidos burgueses, como a Forca Sindical e a UGT, sabotaram claramente a greve como se viu no caso dos sindicatos a eles vinculados.
Desde o dia 14, esses adversários da mobilização real dos trabalhadores, defensores – no máximo – das ações de aparência, realizadas por sindicalistas, assessores e outros contratados (em sua maioria temporários e mal remunerados) intensificaram suas articulações para apoiar – de fato – a expropriação dos trabalhadores com a “reforma”da Previdência, como alguns dos seus líderes, como o deputado Paulinho da Força (SDS), presidente licenciado da Força Sindical e integrante do “centrão”, já vinha fazendo há tempos.
Os pelegos não estão contra apenas qualquer luta pela derrota da Reforma, como também se opõem a que os protestos defendam a liberdade de Lula e, nem pensar, em defender a derrubada do governo Bolsonaro e dos golpistas, uma vez que eles e seus “donos” (os patrões e seus partidos) apoiaram a derrubada de Dilma, a prisão de Lula e tudo mais que serviu para levar o País à situação de retrocesso em que nos encontramos, com 28,5 milhões de trabalhadores desempregados e subempregados e, um total de mais de 65 milhões de trabalhadores sem emprego, já que mais de 43% da força de trabalho que consegue vender sua força de trabalho hoje, o faz no “mercado informa”, sem carteira assinada, sem direitos trabalhistas, em um regime de escravidão de dezenas de milhões intensificado pelo golpe de Estado que eles ajudaram a realizar, sob o comando da direita pró-imperialista e do próprio imperialismo norte-americano.
Em nota divulgada após a reunião, as centrais sindicais afirmaram que vão continuar a mobilização junto ao Congresso Nacional, em reuniões com parlamentares de diferentes partidos políticos, reafirmamos o posicionamento contrário ao relatório substitutivo do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).
“A unidade de ação foi essencial para o sucesso das iniciativas até aqui coordenadas pelas Centrais Sindicais”, diz trecho da nota que conclama “as bases sindicais e os trabalhadores a intensificar e a empregar o máximo esforço para atuar junto às bases dos deputados e senadores, nos aeroportos, com material de propaganda, e marcar presença também nas mídias sociais, exercendo pressão contrária à reforma em debate no Congresso Nacional”.
Na nota divulgada após o encontro, as entidades que “deram continuidade à mobilização e à atuação institucional junto ao Congresso Nacional para enfrentar a Reforma da Previdência e da Seguridade Social. Em reuniões com parlamentares de diferentes partidos políticos, reafirmamos nosso posicionamento contrário ao relatório substitutivo do deputado Samuel Moreira“, evidenciando o acordo da maioria das entidades em encontrar pontos positivos no roubo dos trabalhadores em favor dos bancos nacionais e internacionais que se quer realizar com a “reforma”.
A “mobilização” desejada e já colocada em prática pela burocracia sindical visa dar “importância de reforçar a atuação junto ao parlamento e parlamentares, visando argumentar e tratar das questões e do conteúdo dessa nefasta reforma“, reconhece a nota.
A nota fala “unidade”, mas quem participou e lutou no dia 14, sabe que esta não existiu para impulsionar uma mobilização real.
Assim a “receita” apresentada pela burocracia sindical, que já foi testada e reprovada em inúmeras lutas fundamentais do último período, como no caso da derrota dos trabalhadores no caso do “congelamento dos gastos públicos” (ex-PEC 95), da derrota monstruosa na “reforma” trabalhista (também apoiada por Paulinho da Força e seus aliados), deve ser rejeitada pelos trabalhadores e dirigentes de suas organizações de luta que querem, efetivamente, impulsionar uma mobilização real. Eles propõem “intensificar e a empregar o máximo esforço para atuar junto às bases dos deputados e senadores, nos aeroportos, com material de propaganda, e marcar presença também nas mídias sociais, exercendo pressão contrária à reforma em debate no Congresso Nacional”. Uma atuação no sentido oposto do que foi feito – e com sucesso – nos dias 15 3 30 de Maio e 14 de junho passados, quando os explorados e suas organizações deixaram de lado o inútil lobie (“pressão”) sobre deputados que estão negociando seu voto em troca de bilhões das emendas, nomeações etc. e foram para as ruas, exercer a única pressão real, a da luta dos trabalhadores, a greve, as ações de massa etc.
Por influência de setores cutistas (e em menor medida de outros setores da esquerda) a Nota fala de “mobilização permanente”, “assembleia nos locais de trabalho” e chama realizar um “Dia Nacional de Mobilização, com atos, assembleias e manifestações em todas as cidades e em todos os locais de trabalho, bem como estaremos unidos e reforçando o grande ato que a UNE (União Nacional dos Estudantes) realizará nesta data em Brasília, durante seu Congresso Nacional“.
Para que essas e outras ações seja efetivas, é preciso realizar uma ampla campanha de agitação e propaganda nos locais de trabalho, inclusive, nas bases dos sindicatos dirigidos pelos pelegos, buscando uma verdadeira unidade dos trabalhadores, na mobilização, uma vez que eles estão cada vez mais unidos na sua revolta crescente contra o governo em crise.
Contra a politica de conciliação da burocracia sindical e da esquerda burguesa e pequeno burguesa, que quer apoiar, com “ressalvas” a “reforma” da Previdência e manter Bolsonaro até 2022, iludida com possibilidades de dividendos eleitorais, o ativismo classista, as organizações de luta dos trabalhadores do campo e da cidade precisam intervir e mobilizar de verdade com uma política independente dos patrões e do governo golpistas: pela derrota integral do roubo da Previdência (nenhuma reforma dos golpistas!), pela derruba do governo ilegítimo, fora Bolsonaro e todos os golpistas; liberdade para Lula e todos os presos políticos; anulação da criminosa operação lava jato, convocação de novas eleições gerais, com Lula candidato.


