O impeachment de Bolsonaro já é um tema discutido abertamente nos bastidores do Congresso e nas páginas da imprensa burguesa. Ninguém esconde esse fato, com apenas seis de governo. Muito antes disso, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, já se esforçava para aparecer como uma alternativa ao governo do capitão golpista. A substituição de Bolsonaro por Mourão poderia ser uma saída para a crise do ponto de vista da direita golpista. Uma nova tentativa de superar a crise do golpe, que se arrasta desde 2016, por cima. Contornando mais uma vez a oposição à direita que novamente está tomando as ruas do país.
Por enquanto isso está colocado ainda apenas como uma possibilidade. Uma margem de manobra para a burguesia agir diante da crise política. Ao mesmo tempo, a tendência à mobilização contra o governo golpista e ilegítimo de Bolsonaro cresce a cada dia. No dia 15 as manifestações contra o governo foram gigantescas, e no dia 30 a mobilização voltou a atrair amplos setores e marcou uma evolução da mobilização contra o governo. A mobilização é mais um elemento de crise para o governo e a direita, um dado novo na situação política.
No entanto, há um perigo diante das mobilizações. Sem um programa claro para o país, que sirva para unificar todas as reivindicações contra o governo da direita, há o risco de que as manifestações se percam em torno de pautas inócuas e acabem se dispersando e permitindo à direita que ela se recomponha e se reorganize, para então poder atacar a classe trabalhadora com muito mais organização e força. É para isso que a imprensa golpista vem se esforçando quando tenta impor uma pauta às manifestações, que teriam que se restringir ao problema da educação e deixar Bolsonaro em paz.
Portanto, é preciso levantar esse programa. O movimento que está nas ruas precisa se antecipar às manobras espúrias da burguesia. Primeiro é preciso exigir a queda de Bolsonaro. Mas além disso é preciso desde já colocar uma alternativa dos trabalhadores: eleições gerais já! Uma saída por fora das instituições golpistas, imposta pelos trabalhadores nas ruas, com os métodos dos trabalhadores, como protestos, piquetes, bloqueios e greves, além da greve geral. Eleições gerais para que a população possa votar em quem quiser. E para isso, é preciso exigir também a liberdade de Lula e sua candidatura nas eleições. Os trabalhadores podem remover Bolsonaro, e devem apresentar sua alternativa própria de poder, “antes que um aventureiro lance mão”.





