Na última terça-feira (25), o STF julgou dois pedidos de habeas corpus do ex-presidente Lula. Mais uma vez, o maior líder popular do País permaneceu encarcerado, mesmo com toda a conspiração que foi montada contra ele desmascarada.
A imprensa burguesa, assim como no golpe de Estado dado contra a presidenta Dilma Rousseff, foi unânime em seus dizeres sobre o caso: libertar Lula seria um “erro”. Os vazamentos da Lava Jato, que comprovam o conluio entre o juiz da Lava Jato e seu procurador, seriam apenas um pequeno detalhe – a prisão de Lula deveria ser mantida a qualquer custo.
Esse posicionamento da burguesia já era esperado. Afinal, foi a própria burguesia que colocou Lula na cadeia, mesmo sem ter quaisquer crimes comprovados contra si. Desde 2013 Lula vem sendo perseguido insistentemente, com inúmeras calúnias disseminadas pela imprensa golpista. Em 2016, Lula sofreu uma condução coercitiva injustificável. Em 2017, Lula foi condenado em primeira instância por um juiz que se tornou ministro de Bolsonaro, adversário eleitoral do líder petista. Em 2018, Lula foi preso e teve seus direitos políticos ilegalmente cassados.
A prisão de Lula é uma necessidade para a burguesia. Lula é um polo fundamental para a luta da esquerda contra o regime político golpista. As fortes tendências eleitorais de Lula no último ano é um aspecto que comprova a força de do líder petista: mesmo preso, Lula seria capaz de derrotar qualquer candidato do regime político golpista. Outro aspecto importante da liderança de Lula é a forte pressão que ele sofre do movimento operário: ao contrário do que defende a ala direita do PT, Lula é contra a reforma da Previdência a contra o golpe na Venezuela.
Embora a prisão de Lula tenha sido mantida, o julgamento mostrou que o STF, além de ser um dos pilares do golpe de Estado, que está disposto a perseguir a esquerda de conjunto, está procurando estabelecer, dentro do regime político, condições para que determinados setores da burguesia possam reagir à ofensiva do “combate à corrupção”.
Para setores importantes da burguesia, a Lava Jato precisa ser freada. Se a operação seguir sem controle algum, é capaz de ela abocanhar uma série de políticos que são fundamentais para a sustentação do regime político golpista. Como disse o próprio Sergio Moro, em um dos vazamentos recentes, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não poderia ser investigado, pois seu “apoio” seria “importante”.
Por isso, o julgamento no STF, mesmo mantendo Lula preso, procurou abrir precedentes para que outros perseguidos pela Lava Jato sejam soltos. A votação apertada, por 3 x 2, não demonstra que faltou apenas um voto para que Lula fosse solto, mas sim que o STF procurou pavimentar o caminho para que seus aliados possam se livrar de condenações futuras.





