A grande sensação da semana até o momento, foi a entrevista do Michel Temer ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira. Veja a transcrição de um trecho:
“Eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe. Aliás, muito recentemente, o jornal Folha detectou um telefonema que o presidente…ex-presidente Lula me deu onde ele preiteava, e depois esteve comigo, para trazer o PMDB para impedir o impedimento, e eu tentei, mas a essa altura, eu confesso, que a movimentação popular era tão grande, tão intensa, que os partidos já estavam mais ou menos vocacionados, digamos assim, para a ideia do impedimento. Mas veja que até o último momento, e este telefonema do ex-presidente Lula revela exata e precisamente que eu não era, digamos, adepto do golpe“.
Deve ter sido duro para os tradicionais jornalistas chapas-brancas do programa ouvir o ex-vice decorativo afirmar duas vezes que foi, sim, um golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff. Para a audiência da TV Cultura também deve ter sido um espanto.
Outro motivo de tristeza, desta vez para toda a quadrilha da conspiração Lava Jato, deve ter sido a revelação de que Lula não só ligou para ele, mas esteve com ele, buscando apoio do PMDB para bloquear a sanha de deposição de Dilma.
Aí entram dois aspectos. Primeiro, a revelação do pedaço da Vaza Jato do Intercept que coube à Folha divulgar, como parte do acordo operacional entre os dois órgãos de imprensa. O vazamento já desmontava a acusação do Sergio Moro e seus procuradores amestrados e endossado pelo ministro Gilmar Mendes, de que Lula procurou se tornar ministro do governo da Dilma para conseguir foro privilegiado e escapar de Curitiba. Segundo o trecho divulgado pela Folha, Lula fez um telefonema a Temer procurando a ajuda dele para articular um salvamento para Dilma, que era esse o intuito de tornar Lula ministro da Casa Civil: salvar o governo. A revelação desfaz a tese comprada por Gilmar que o motivou a impedir a nomeação de Lula ao cargo.
Pois Temer agora confirma a veracidade do vazamento do Intercept/Folha: Lula telefonou para ele com esse propósito. Segundo, espontaneamente, sem que fosse necessária nenhuma investigação ou “hackeamento”, revelou que Lula depois esteve com ele pessoalmente com a mesma intenção. Isso é um ingrediente novo para recapitular o que aconteceu neste País pré 17 de abril de 2016.
Duro mesmo foi qualquer um de nós que não nascemos ontem aguentar o cinismo do homúnculo que entregava relatórios frequentes na embaixada dos Estados Unidos, desde 2006, segundo documentos divulgados pelo Wikileaks do Julian Assange, preparando o golpe junto com seus senhores já 10 anos antes de acontecer, antes mesmo de se tornar vice-presidente da Dilma por obra da política de conciliação do Lula com o PMDB.
Chega a ser repugnante ver o vídeo em que ele, com suas mãozinhas gesticulando como se procurasse lançar um encantamento na plateia, admitir que foi um golpe mas não era seu.
Recentemente, a agora deputada Janaína Paschoal também escreveu no Twitter que a deposição da Dilma não teve nada a ver com as pedaladas fiscais que ela escreveu no pedido de impeachment contra ela que lhe foi pago R$ 45 mil.
Tudo o que nós sempre afirmamos e brigamos com parentes e amigos nos últimos três anos, pessoalmente e nas redes sociais, de que foi golpe, foi uma farsa, foi fraude, foi mentira, foi maldade, foi vilania, agora todo dia pipocam envolvidos se revelando, se retratando, reciclando suas imagens, alguns procurando aparentar arrependimento, outros envergonhados, outros, como Temer, sendo cara-de-pau.
Por que tudo isso agora? Querem passar um pano na sujeira e se reapresentar em nova embalagem?





