Amplia-se a colaboração de petistas com os golpistas do PSDB

Reunidos em evento na USP no último dia 04 de maio, seis ex-ministros da educação assinaram carta em conjunto, supostamente em defesa da educação pública. Entre os signatários da carta estão ex-ministros dos governos Collor de Mello, Itamar Franco e FHC, todos defensores da primeira onda neoliberal no país, nos anos 1990 e ainda o ex-petista e ex- ministro de Lula, Cristovam Buarque, um defensor de primeira hora do golpe de Estado no Brasil, do impeachment de Dilma e da política de perseguição e prisão de dirigentes do PT, a começar pelo próprio Lula.

Está obvio que não se trata de uma política de defesa da Educação, mas de uma ação de maior envergadura que visa se contrapor as mobilizações em curso no país contra o governo Bolsonaro e contra o próprio golpe por uma política aberta de colaboração com o próprio golpe na tentativa de canalizar as lutas em curso para o campo institucional, via Congresso Nacional e ao fim e ao cabo, ser um instrumento de sustentação e estabilização do novo regime político instaurado pelo golpe de 2016.

A política de colaboração de petistas com golpistas do PSDB e de outras matizes não começou pela Educação. No início do mês de maio ocorreu um encontro similar entre ex-ministros do Meio-Ambiente, este com o “propósito” de apontar uma “saída” para a questão ambiental diante da política destrutiva do governo Bolsonaro.

Tanto em um caso como no outro, trata-se de uma farsa. Aliás, ao que tudo indica, em seguida veremos iniciativa da mesma ordem para a economia, para justiça, para a saúde e assim por diante. A movimentação em curso faz parte da política da esquerda pequeno-burguesa de virar a “página do golpe”, com a constituição de uma frente ampla, que iria do PT, passando pelo PCdoB, por partidos da esquerda burguesa, pelo partido artífice do golpe, o PSDB, e se estenderia até mesmo ao centrão, com tudo desembocando nas eleições de 2020 e 2022.

Essa é não apenas uma política de derrotas, como suicida. Reforça a posição e as iniciativas da burguesia diante da crise do governo Bolsonaro e permite, com isso, a recomposição do golpe de Estado, seja com Bolsonaro ou com um outro governo bolsonarista sem Bolsonaro.

Ao fim e ao cabo, a política da frente ampla do ponto de vista de sua viabilidade é uma mera ilusão e só cumpre o papel de servir aos interesses do imperialismo e a burguesia golpista na sua política de destruição do país.

A esquerda que efetivamente luta contra o golpe deve superar a sua confusão e romper de maneira cabal com a política suicida da frente ampla e o único caminho passa pela intensificação das mobilizações de rua e da luta aberta contra o governo e o golpe.

A extrema-direita precisa ser enfrentada com o povo nas ruas.

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