O jornal da direita golpista Estado de S. Paulo quer pautar as manifestações da esquerda e dos trabalhadores contra o governo Bolsonaro, um governo que este jornal apoia, assim como apoiou o golpe de 1964 e a ditadura militar. Segundo esses inimigos dos trabalhadores e do Brasil, em editorial do dia 1º de junho intitulado A quem interessa a polarização, o PT teria tentado “sequestrar, para seus propósitos deletérios, o legítimo movimento dos estudantes e professores” ao levar para as ruas outras palavras de ordem, como a rejeição ao roubo das aposentadorias que a imprensa capitalista chama de “reforma da Previdência”.
Ou seja, o Estado de S. Paulo, que apoiou o golpe de 1964, apoia o roubo das aposentadorias e que não tem nada a ver com os setores que estão indo às ruas protestar contra a direita golpista, quer determinar qual deve ser a pauta das manifestações. É uma operação para tentar tornar as manifestações inócuas na luta contra a direita golpista. Isto serve de alerta para setores da esquerda que querem ceder a pressão da imprensa coxinha: o protesto apenas “pela educação” é o programa dos coxinhas para os protestos, porque a direita quer apagar o conteúdo político dos protestos, que exigem o fim do governo Bolsonaro.
O problema para a imprensa burguesa é que ela defende o governo Bolsonaro para manter alguma estabilidade no regime golpista. A polarização coloca o próprio regime golpista em uma situação difícil. O país está polarizado porque os trabalhadores rejeitam repetidamente o programa direitista que jornais como o Estado apoiam. Rejeitaram esse programa com Temer, e o rejeitam novamente com Bolsonaro. Assim como rejeitavam na época de FHC. Sempre é necessário fazer manobras, ou simplesmente partir para o golpe de Estado, para conseguir colocar governos que implementem esse programa.
É aos defensores desse programa da direita (roubo das aposentadorias, perda de direitos trabalhistas, perseguição a sindicatos e partidos, privatizações etc.) que interessa agora desviar o foco das manifestações, que exigem o fim do governo nas ruas de todo o país, para desviá-las para alguma pauta que leve à dispersão das manifestações, até que o governo possa se estabilizar, ou pelo menos continuar. A população rejeita esse programa e tem uma palavra de ordem que expressa essa rejeição claramente, colocando o problema do poder e de derrubar Bolsonaro: fora Bolsonaro!





