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6 de junho de 1799: nasce Alexander Puchkin, russo, mulato, poeta universal


Alexander Sergeievitch Puchkin, um dos maiores poetas da literatura universal, nasceu em Moscou há 220 anos. O escritor pertencia à nobreza russa, tendo estudado no Liceu Imperial do Tsarskoye Selo – palácio de verão do tzar.

Puchkin era mulato, bisneto do etíope Abram Petrovich Gannibal (1696-1781), engenheiro militar formado em Paris, conhecido de Voltaire, Montesquieu e Diderot. Conhecido entre eles como “estrela negra do iluminismo”, viveu na corte russa como protegido do tzar Pedro, o Grande, onde projetou inúmeras fortificações e canais. De fato, Puchkin foi educado em francês – língua que conhecia melhor que a de seu país e não por acaso o pensamento da Ilustração persistiria como uma referência permanente para o poeta, que considerava Voltaire, por exemplo, “o primeiro a seguir a nova estrada, e a trazer a lanterna da filosofia aos arquivos obscuros da história”.

No dizer de Otto Maria Carpeaux, “Puchkin percorreu nos 20 anos de sua carreira literária todos os estilos, e mais ou menos na mesma ordem cronológica na qual a Europa os tinha percorrido: classicismo francês, pré-romantismo anglo-alemão, romantismo byroniano, para chegar a um novo classicismo sui generis”.

Expressão de tal maturidade algo precoce, sua obra Eugênio Onieguin é considerada o primeiro grande romance russo. Publicada em fascículos entre 1825 e 1832, o poema explora – também na visão de Carpeaux – “o tipo do aristocrata russo ocidentalizado, ‘blasé’, o ‘homem inútil’ que será o personagem principal de tantas obras de Turgeniev, de Gontcharov, de Tolstoi e, enfim, de Tchekov, com o qual a grande literatura russa do século XIX terminará. Esse Puchkin nacional, nacionalíssimo, é o criador da Rússia literária”.

Outras obras importantes do poeta seriam Ruslan e Ludmila – primeira publicação de vulto, ainda em 1820 –; O Prisioneiro no Cáucaso (1822); O chafariz de Baktchisarai (1827); Os Ciganos (1827); Poltava (1829); a tragédia histórica Boris Godunov (1831); Mozart e Salieri (1932); O convidado de pedra (1832); O cavaleiro de Bronze (1833); Pique-Dame (1834); A filha do Capitão (1836).

Frequentador da vida cortesã e ácido crítico da aristocracia praticamente feudal russa, Puchkin teria uma vida pessoal conturbada. Embora tivesse se casado com Natália Goncharova em 1830, envolveu-se em diversos casos amorosos e em nada menos que 30 duelos, sendo finalmente morto num desses confrontos em 1837 – ironicamente após desafiar um suposto amante de sua esposa, o diplomata francês Georges-Charles de Heeckeren d’Anthès.

Tal inquietação, como não poderia deixar de ser, se refletiria na postura política liberal e progressista de Puchkin, cujo ativismo levaria ao seu banimento de São Petersburgo em 1820. Tal condição levou-o a uma vida seminômade, entre a corte e outras regiões do império russo como o Cáucaso, a Crimeia, a Ucrânia e a Moldávia – onde se tornaria maçon. Em 1825, se veria implicado na chamada Revolta Dezembrista na capital, em que 3 mil soldados tentaram impedir a coroação do tzar Nicolau I, sendo mais uma vez exilado.

Sua obra seria o fundamento de grande parte da arte russa subsequente, tendo servido não apenas de inspiração direta para toda a literatura russa posterior, como também de base para óperas, balés, peças teatrais e filmes. Eugenio Onieguin, por exemplo, se transformaria em ópera pelo gênio de Tchaikovsky em 1879, e em peça musicada por Taírov e Prokofiev em 1936.

Façamos nossas uma indagação e sua resposta planteadas na década de 1930 pelo grande escritor revolucionário russo Máximo Górki (1868-1936):

O que Puchkin tem a oferecer ao leitor proletário?

Primeiramente, a partir de seu trabalho criativo, nota-se que o escritor, rico em seu conhecimento da vida – carregado de experiência, por assim dizer – irrompe além dos marcos da psicologia de classe em suas concepções artísticas (Eugênio Onieguin, Conde Nulin, Dubrovski) e transcende as tendências de sua própria classe, apresentando tal classe objetivamente, a partir de seus aspectos exteriores, como uma organização malograda e discordante de um recorte da experiência histórica; e internamente como um psicologismo de busca interior, repleta de contradições irreconciliáveis.

Assista também no Youtube a palestra “Literatura Russa dos primórdios até o final do século XIX” por Afonso Teixeira.

 


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