Tropas de ocupação de “Israel” impediram três diretores e 59 professores de chegar às escolas em que trabalham no sul de Nablus, na Cisjordânia ocupada, em 12 de outubro. A denúncia foi apresentada por Samer al-Jamal, dirigente da área de educação, e integra os informes divulgados pelo Ministério da Educação palestino sobre as restrições impostas ao ensino.
Na mesma data, Ahmad Sawafta, assessor do ministério, denunciou ordens de paralisação de obras e ameaças de demolição contra dezenas de unidades escolares. Em Jinba, na região de Masafer Iata, forças de ocupação instalaram uma torre militar na estrada utilizada pelos estudantes, enquanto colonos estabeleceram uma guarita diante da escola, sob proteção de soldados.
Para os alunos, a escola depende de uma autorização cotidiana das tropas que ocupam o território. Professores podem ser barrados nos caminhos, materiais podem ser retidos em revistas e construções educacionais ficam ameaçadas de demolição. Em Al-Quds ocupada, autoridades palestinas denunciaram a inspeção de livros e mochilas, inclusive por causa de símbolos nacionais.
Na Faixa de Gaza, a destruição é muito maior. O ministro palestino da Educação, Amjad Barham, informou que mais de 600 mil estudantes permanecem privados das aulas regulares. Mais de 90% dos prédios escolares e mais de 85% das instalações de ensino superior foram destruídos ou sofreram danos durante a guerra.
O Ministério da Educação divulgou também um balanço que contabiliza 21.806 estudantes e trabalhadores ligados ao ensino mortos em Gaza e na Cisjordânia desde 7 de outubro de 2023. O número foi publicado por veículos palestinos em outubro e compreende diferentes categorias de vítimas relacionadas ao sistema educacional.
Algumas atividades foram organizadas em tendas e espaços improvisados. Também houve iniciativas de ensino pela internet. Mas nenhum desses recursos substitui uma rede de escolas funcionando normalmente quando grande parte das famílias perdeu suas casas, a energia é escassa e as crianças vivem sob a ameaça permanente de novos ataques.
Os obstáculos criados na Cisjordânia e a devastação em Gaza são expressões da mesma dominação colonial. Em uma região, soldados e colonos dificultam a passagem dos alunos; na outra, os bombardeios atingiram os próprios edifícios e mataram estudantes e professores. A ocupação alcança até a possibilidade de crianças palestinas aprenderem a ler e escrever em suas próprias cidades.
As autoridades educacionais palestinas tentam manter o ensino nas condições existentes. A recuperação efetiva, porém, exige escolas reconstruídas, circulação livre de professores e estudantes e o fim dos ataques contra as instituições palestinas. Sem isso, centenas de milhares de crianças continuarão privadas de uma parte fundamental de sua formação.





