Representantes do Líbano e de “Israel” participaram de uma reunião na sede do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), em Tampa, na Flórida, para discutir a continuidade de um acordo de segurança que inclui o desarmamento do Hesbolá. A informação foi divulgada na terça-feira (20) pelo The Jerusalem Post, com base em duas fontes das forças militares israelenses.
O encontro ocorreu na Base Aérea de MacDill, sede do comando norte-americano responsável por operações no Oriente Próximo. O presidente libanês Joseph Aoun confirmou a participação de seu país. As conversações estavam previstas para continuar até quarta-feira (21). Segundo as informações divulgadas, a negociação trata de questões militares e de segurança, não de um tratado de paz ou da normalização das relações diplomáticas.
A principal exigência dos Estados Unidos e de “Israel” é o desarmamento do Hesbolá, organização que participou da resistência à ocupação sionista do território libanês. A delegação de Beirute, por sua vez, apresentou a reivindicação de que as tropas israelenses se retirem do Líbano e cessem suas operações militares no sul do país.
A diferença entre as exigências expõe o problema do acordo. A resistência é pressionada a entregar suas armas antes que a potência ocupante ponha fim às agressões. Para o regime sionista, retirar a capacidade militar do Hesbolá significaria eliminar um dos principais obstáculos a novas invasões.
O DCO já havia noticiado, em junho, um acordo patrocinado por Washington que vinculava a retirada das forças israelenses ao desarmamento das organizações libanesas. Em agosto, moradores de regiões bombardeadas denunciaram outra forma de pressão: a promessa de liberar recursos para reconstruir as casas destruídas em troca da entrega das armas da resistência.
O método transforma a destruição causada pelos ataques israelenses em instrumento de chantagem. Depois de bombardear bairros e infraestrutura, os patrocinadores do Estado sionista condicionam a recuperação das áreas atingidas a uma mudança na organização militar do Líbano.
O Hesbolá rejeita entregar suas armas enquanto persistirem a ocupação e as agressões. Sua origem está diretamente relacionada à resistência contra a invasão israelense, e sua capacidade de combate foi construída ao longo de décadas de conflito. A exigência norte-americana não constitui uma simples medida administrativa: pretende alterar a relação de forças que impede “Israel” de atuar livremente sobre o território libanês.
A reunião na sede do Centcom mostra também que Washington conduz as negociações a partir de seu próprio aparelho militar. O governo norte-americano fornece armas e proteção política a “Israel” e, simultaneamente, apresenta-se como mediador de um acordo em que a resistência libanesa deve ser enfraquecida.
A delegação de Beirute insiste no fim das operações israelenses e na retirada dos militares estrangeiros. O acordo, porém, continua condicionado à tentativa de desarmar a organização que enfrentou essas tropas e cuja base social está entre as comunidades mais atingidas pela guerra.




