Flávio Bolsonaro (PL) declarou à TV Globo, na sexta-feira (16), que Eduardo Bolsonaro não será seu ministro das Relações Exteriores e que nomear o pai, Jair Bolsonaro, para um cargo “não está no radar”. Horas antes da entrevista a Renata Lo Prete, o candidato à Presidência almoçou com João Roberto Marinho, presidente do Grupo Globo, e Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais, na sede da empresa, no Rio de Janeiro.
Questionado sobre a participação do pai em um eventual governo, Flávio respondeu: “ele nunca tratou disso comigo. Não está no radar”. Sobre a possibilidade de entregar o Itamaraty a Eduardo, afirmou: “não, ele não vai ser meu chanceler”. Na emissora que passou anos atacando Jair Bolsonaro, o senador tratou de tranquilizar os anfitriões quanto à presença dos familiares em seu governo.
O episódio mostra o capachismo de Flávio diante dos Marinho. O candidato depende do prestígio do pai e dos votos bolsonaristas para chegar à Presidência, mas procura a aprovação da Globo assegurando que os representantes mais incômodos desse movimento não terão os cargos mencionados na entrevista.
Embora seja de direita, o bolsonarismo reúne setores que entraram em choque com o regime político e suas instituições. Eduardo é o principal representante dessa ala mais combativa, da qual também participam Carlos e o próprio Jair Bolsonaro. Flávio procura se apresentar à burguesia como um candidato capaz de recolher os votos dessa base sem levar adiante seus conflitos com o regime.
Durante a entrevista, o senador fez uma defesa do irmão: “Eduardo Bolsonaro é um perseguido político que está lá fora denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil”. A declaração, porém, veio acompanhada da garantia de que ele não comandará a política externa. Flávio reconhece a perseguição, mas procura agradar aos que rejeitam a atuação de Eduardo.
Segundo almoço
A visita à direção da Globo não foi um encontro isolado. Conforme o Metrópoles, esse foi o segundo almoço de Flávio com a cúpula da empresa. O primeiro ocorreu antes do início oficial da campanha eleitoral, durante uma série de visitas do senador a veículos de imprensa.
Na sexta-feira, o candidato estava acompanhado do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral de sua campanha, e de um assessor de imprensa. A Globo confirmou o encontro e destacou que dirigentes do jornalismo não participaram.
“Pedidos de visitas institucionais são parte da rotina de todos os executivos de empresas de mídia, sendo usual que candidatos a cargos eletivos façam encontros de cortesia”, afirmou a empresa em nota. Segundo auxiliares ouvidos pela coluna de Igor Gadelha, Lula, entrevistado pela emissora na quinta-feira (15), não teria sido convidado para um almoço semelhante.
A alegada cortesia serve a uma aproximação política que interessa ao candidato. Depois de anos de atritos entre a emissora e o pai, Flávio pede a bênção dos Marinho para chegar ao Planalto.
A base que denuncia a perseguição a Jair e Eduardo recebe do candidato uma defesa verbal. Aos donos da Globo, Flávio oferece reuniões reservadas e garantias sobre a composição de seu eventual governo. É com esse compromisso de acomodação ao regime que o senador pretende chegar à Presidência com os votos do bolsonarismo.





