Um grupo de 12 pessoas foi resgatado em 30 de setembro de condições de escravidão na zona rural de Paranacity, no noroeste do Paraná. Entre os trabalhadores havia dois adolescentes, de 15 e 16 anos. Sete integrantes do grupo eram paraguaios, inclusive os menores de idade. Todos atuavam na colheita de mandioca.
Os paraguaios chegaram à região depois de responder a uma oferta de emprego divulgada na internet. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, um intermediário conhecido como “gato” organizou o transporte ao Brasil e passou a dirigir o serviço. Desde o fim de agosto, o grupo trabalhava em diferentes propriedades. Recebeu pela primeira semana e continuou na lavoura sem novos pagamentos.
Ao verificar onde os trabalhadores dormiam, a fiscalização encontrou colchões colocados diretamente no chão, condições deficientes de higiene e falta de alimentos. Os auditores classificaram o conjunto como trabalho em condições degradantes, uma das modalidades previstas para caracterizar a submissão de uma pessoa à condição de escravo.
O deslocamento entre lavouras é uma parte importante do caso. A mão de obra não atendia apenas uma propriedade; seguia as ordens do intermediário enquanto a colheita beneficiava diferentes empregadores. As informações divulgadas apontam dois responsáveis, mas seus nomes ainda não haviam sido tornados públicos até 12 de outubro. Na mesma data, não havia notícia de prisão ou denúncia criminal contra eles.
Outros resgates de paraguaios em plantações de mandioca já haviam ocorrido no Paraná. Alguns envolveram servidão por dívida. Não há informação de que essa tenha sido a situação em Paranacity. Os fatos constatados agora são a ausência de salários após a primeira semana, as condições degradantes do alojamento e a exploração do grupo sob o comando do intermediário.
Após o resgate, os trabalhadores receberam alimentação e assistência. Os empregadores deverão pagar verbas trabalhistas e valores estimados por danos morais. A fiscalização retirou 12 pessoas da lavoura; a responsabilização de quem organizou e aproveitou o trabalho delas ainda depende da identificação pública dos envolvidos e da apuração criminal.





