Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência, conversou com Leandro Fortes no Canal do Galo Preto, no YouTube, na terça-feira, 22 de setembro. O programa passou pelo discurso de Lula na ONU, pela eleição presidencial, pela crise do STF e pelas propostas do PCO.
Pimenta considerou que Lula fez seu discurso na Assembleia Geral da ONU sobretudo para o eleitor brasileiro. Disse ser positivo que o presidente chame de genocídio o massacre dos palestinos, embora tenha criticado a falta de medidas do governo contra o sionismo. Fez a ressalva de que não havia assistido ao pronunciamento completo. Também rejeitou os acordos de Oslo e a proposta de dois Estados defendida pelo PT: na avaliação dele, ela deixa a maior parte da Palestina sob domínio sionista.
O candidato defendeu que o Brasil vá além da ajuda que já envia a Cuba. Propôs uma ação conjunta dos países do BRICS contra o bloqueio norte-americano e o uso de embarcações e empresas estatais para atender à ilha sem se submeter às sanções. Ele falou o que um governo do PCO poderia fazer por Cuba, caso fosse eleito:
“Por exemplo, colocaríamos uma parte dos navios da Marinha Brasileira para atender Cuba. Eu acho que é fundamental isso. Você vê, não dá para você comprar uma passagem aérea aqui em São Paulo e viajar para Cuba, porque as empresas aéreas brasileiras não fazem esse trajeto por causa das sanções. […] Tem que romper o bloqueio na prática.”
Fortes levantou a possibilidade de o governo proibir as apostas para recuperar votos. Pimenta disse que isso afastaria milhões de pessoas que apostam, muitas delas na esperança de aliviar suas dificuldades financeiras:
“O pessoal está estrangulado economicamente, então isso daí é um recurso desesperado para ver se a pessoa ganha algum dinheiro. […] Aí você vai lá e você proíbe. O pessoal que aposta não vai ver isso como uma medida positiva de maneira nenhuma. Não consigo entender qual é o cálculo.”
Na disputa presidencial, Pimenta atribuiu a perda de apoio a Lula ao desgaste de um partido que governa enquanto o povo enfrenta dívidas e salários baixos. Criticou a campanha centrada em denúncias contra Flávio Bolsonaro e no apelo ao voto útil, sem medidas que melhorem a vida dos trabalhadores. A defesa de Alexandre de Moraes pelo PT, acrescentou, também pesa contra Lula.
“O bolsonarismo é oposição. O Lula é situação e não é só uma questão do governo atual. O Lula é situação há mais de 20 anos. […] E o PT aparece aí como o vilão da história.”
Pimenta distinguiu Lula de Flávio Bolsonaro, mas rejeitou a ideia de que a vitória do candidato do PL instalaria, por si só, o fascismo. A burguesia, afirmou, atacará os trabalhadores seja qual for o vencedor; por isso, defendeu a mobilização popular também se Lula for reeleito. Lembrou que Dilma Rousseff venceu em 2014 e foi derrubada antes de terminar o mandato:
“A eleição não é o grande problema, né? Porque se as coisas tiverem que acontecer vão acontecer independentemente do resultado eleitoral. A Dilma ganhou eleição em 2014 e não conseguiu governar. A burguesia foi para cima e tal. […] O problema maior é sempre a luta política que se dá dentro da sociedade.”
Sobre o Judiciário, defendeu o fim do STF e a apuração pública das suspeitas que recaem sobre seus ministros. Considerou insuficiente a proposta de limitar os mandatos a dez anos, defendida pelo PT: quer mandatos rotativos para os juízes e o fim do sigilo nas investigações de interesse público.
“É engraçado que o pessoal fala isso, porque o PCO é a favor da extinção do STF. Quer dizer, nós não estamos defendendo nenhum ministro. […] Agora, nós somos favoráveis a que tudo seja investigado, a que tudo seja colocado às claras para a população saber. […] Nós somos contra o processo que é feito em segredo de justiça.”
Ele defendeu a investigação dos demais ministros sem equiparar automaticamente as suspeitas a seu respeito ao caso de Moraes. Também explicou por que não participaria agora de um ato contra o STF convocado pela direita: a esquerda acabaria subordinada a seus organizadores. Uma grande mobilização popular, disse, colocaria a questão de outra maneira.
As condenações pelo 8 de janeiro levaram Pimenta a criticar quem aceita abusos judiciais contra adversários políticos. Recordou que o PCO combateu os processos do Mensalão e da Lava Jato contra petistas e disse aplicar aos bolsonaristas a mesma defesa dos direitos democráticos:
“Ninguém pode ser preso por intenção. Não pode, não vamos estabelecer agora que o juiz pode olhar para a cara da pessoa e falar assim ‘eu acho que você quer fazer tal coisa’ e condenar a pessoa a 14 anos de cadeia. O pessoal foi condenado em bloco, não teve nem o direito de ser julgado o caso dele individualizado.”
O dirigente descartou uma aliança eleitoral com o PSTU após o debate entre os presidenciáveis dos dois partidos. Disse que o PCO participa das eleições para apresentar seu próprio programa. Diante da possibilidade de Lula perder, insistiu que o resultado da eleição não encerra a luta política:
“Se perder eleição, tem que sair a rua, tem que fazer campanha política. Se você tiver deputados ou senadores que estejam ao lado do povo, eles têm que se mobilizar e mobilizar o povo. Os sindicatos têm que sair dessa situação de cemitério que eles estão e começar a se mexer.”




