Os governos da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte devem assinar nesta segunda-feira (14), em Cardiff, um documento conjunto em defesa do direito à autodeterminação e da realização de consultas populares sobre sua permanência no Reino Unido.
Segundo informações do britânico The Telegraph, o encontro também tratará de economia, energia, relações com países europeus e cooperação entre os três governos.
Na Escócia e no País de Gales, a defesa é pela possibilidade de realizar referendos sobre independência. Na Irlanda do Norte, a reivindicação envolve uma eventual votação sobre a separação de Londres e a reunificação com a República da Irlanda.
Os três governos também pretendem ampliar os vínculos com a Europa. Caso se tornem independentes, Escócia e País de Gales pretendem buscar ingresso na União Europeia. A Irlanda do Norte, se unificada à República da Irlanda, passaria a integrar o bloco por meio do Estado irlandês.
O encontro chama atenção porque, pela primeira vez, os três países são governados simultaneamente por lideranças favoráveis à independência ou ao rompimento com Londres.
A pressão recai agora sobre o governo britânico. O primeiro-ministro Andy Burnham havia admitido anteriormente a possibilidade de uma nova votação na Escócia caso houvesse apoio popular suficiente.
Na quinta-feira (10), porém, Burnham enviou uma carta ao chefe do governo escocês, John Swinney, do Partido Nacional Escocês (SNP), descartando por enquanto uma nova consulta.
Burnham afirmou que não existe consenso suficiente na Escócia para uma nova votação e que também não há indicação clara de maioria favorável à saída da Irlanda do Norte do Reino Unido.
Ele argumentou ainda que a discussão sobre independência poderia desviar a atenção de problemas econômicos e do aumento do custo de vida.
Swinney respondeu neste domingo (13) afirmando que o avanço do movimento separatista é “inegável”.
“Pela primeira vez, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte são liderados por primeiros-ministros favoráveis à independência”, declarou.
O dirigente escocês afirmou ainda que Burnham poderá entrar para a história como “o último primeiro-ministro do Reino Unido”.





