Estamos no mês de agosto de 2026, já em seus estertores, e o mês de setembro que se avizinha promete uma primavera de propagandas midiáticas eleitorais. A chuva não será líquida, e sim de celulose. Teremos muitos santinhos distribuídos para o povo que levanta cedo e que dorme tarde, esperando a hora do seu martírio. E depois, a chibatada final: o salário mínimo.
A profissão de político partidário continua em alta. Quando olhamos o Instagram e outras redes sociais, encontramos os rostos, as danças, as promessas e toda sorte de prolapso de plataformas, em sua maioria travestidas de verdade. Como se fosse possível e fácil implantar ideias favoráveis a milhões de brasileiros.
As propagandas políticas envolvem milhões. Há uma verba destinada a isso. E você, que ganha mil e seiscentos reais, ou até menos que isso, só enxerga o seu café sem pão à mesa, ou na calçada. Há uma gama de pessoas neste habitat. Essa população de rua vem aumentando. Algumas até colocam um pouco de sal num folder eleitoral de algum candidato e o sorvem como se fosse um roast beef.
Dados: Segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), o Brasil chegou a 365.822 pessoas em situação de rua em dezembro de 2025, contra 327.925 em dezembro de 2024. O levantamento registra, portanto, um crescimento expressivo dessa população em apenas um ano.
As propagandas políticas envolvem milhões. E não se trata apenas de uma força de expressão. Para as eleições de 2026, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, foi fixado em aproximadamente R$ 4,96 bilhões em recursos públicos destinados às campanhas eleitorais.
Entre os partidos, o Partido Liberal (PL) está entre os que recebem as maiores parcelas desses recursos públicos. O tamanho dessa máquina financeira eleitoral ajuda a dimensionar aquilo que está por trás dos rostos, das danças, das promessas e dos santinhos que chegam às ruas.
Mas o investimento é importante. Como é importante para estes candidatos chegar ao pódio, caneta na mão, lei na cabeça e um valor mensal considerável para se manter ali, favorecendo ou desfavorecendo a população brasileira.
O palco está se iluminando, e na coxia. Nós sabemos quem está. Há leis que amparam todo este espetáculo.
Na plateia, temos uma diversidade cultural, uma diversidade humana, onde, infelizmente, a grande maioria desconhece a realidade do mecanismo.
Há uma polarização. Uma polarização que inunda mentes e corações apaixonados, como se fosse um Fla-Flu, há pessoas que creem que esta polarização tem sentido perfeito.
Uma pequena, uma diminuta parcela da sociedade consegue pesquisar, ser autodidata e descobrir se há corrupção sistêmica na estrutura de poder nacional. E isso é um fato infeliz.
Será que o atendente de telemarketing, a funcionária do lar, o taxista, o entregador, o aluno do ensino médio, o professor, com seu salário baixíssimo, que levanta cedo, ergue a cabeça e segue feito um soldado que vai ao front para garantir, no mínimo, um café com leite de manhã, consegue perceber as nuanças, as entrelinhas que estão sob o manto de parte de uma imprensa comprometida com o vai e vem das ondas?
Dados sobre a confiança na imprensa: O Digital News Report 2026, do Reuters Institute for the Study of Journalism, aponta que o ambiente jornalístico brasileiro passa por mudanças importantes: a mídia tradicional continua perdendo espaço como fonte de notícias, enquanto as redes sociais permanecem relevantes e os chatbots de inteligência artificial ganham popularidade. O relatório também registra um cenário de queda da confiança nas notícias em diversos mercados.
Como jornalista, historiadora, bióloga, filósofa, com pós-graduações em algumas áreas, não conheço nem 50% dos bastidores, imaginemos o desconhecimento, a desinformação que circula na mente da maioria da população do nosso Brasil.
Aí é que está a questão, o cerne.
Polarização e corrupção estão no mesmo balaio? Ou existe uma outra saída para garantir felicidade e legitimidade a um povo?





