A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC) enviou ofício às unidades escolares convidando diretores, coordenadores pedagógicos e professores para a XIX Jornada Interdisciplinar de Ensino do Holocausto e Direitos Humanos, realizada nos dias 26 e 27 de agosto no Tribunal de Justiça.
Entre as entidades parceiras da atividade estava a B’nai B’rith, organização internacional ligada historicamente ao movimento sionista.
A jornada contou com palestras sobre racismo, antissemitismo e outros temas relacionados aos direitos humanos. O problema não está, evidentemente, no estudo do Holocausto, cuja compreensão é indispensável para conhecer uma das maiores barbáries produzidas pelo imperialismo no século XX.
A questão é a utilização de uma atividade oficial da rede estadual para abrir espaço político a uma organização sionista no momento em que Israel realiza uma ofensiva de extermínio contra o povo palestino.
A B’nai B’rith possui atuação internacional em defesa de Israel e mantém presença organizada no Brasil. Sua participação numa atividade voltada a professores da rede pública não pode ser apresentada como se não possuísse conteúdo político.
O sionismo procura cada vez mais identificar a denúncia dos crimes de Israel com o antissemitismo. Essa falsificação serve para atacar movimentos de solidariedade à Palestina e dificultar qualquer discussão sobre o caráter colonial do Estado israelense.
O ensino do Holocausto não pode servir de pretexto para propaganda em favor de Israel. Pelo contrário: o conhecimento dos crimes praticados contra os judeus deveria reforçar a oposição a toda política de perseguição, expulsão e massacre de um povo.
Enquanto palestinos são mortos e expulsos de suas terras, a SEEDUC abre as portas da educação pública a uma entidade comprometida politicamente com o sionismo.





