A Secretaria da Educação de São Paulo afastou Roselaine Batalha Silva da direção da Unidade Regional de Ensino de Mogi das Cruzes depois da divulgação de uma fala feita em uma reunião com diretores da rede estadual, realizada por videoconferência no dia 12 de agosto.
O encontro tratava de liderança. Durante a reunião, Roselaine recomendou biografias de Adolf Hitler e Benito Mussolini e mencionou Minha Luta, escrito pelo dirigente nazista. Segundo o relato divulgado, afirmou que seria possível extrair ensinamentos sobre liderança mesmo de personagens considerados maus.
Em determinado momento, chamou Hitler de “líder excepcional”. A frase passou a circular como se fosse uma manifestação de apoio ao nazismo. O que ocorreu, no entanto, foi uma referência feita no decorrer de uma discussão profissional sobre liderança e acompanhada da indicação de livros.
Citar ou recomendar uma obra não significa aderir às ideias de seu autor. Esse princípio é elementar no ensino e no estudo da história. Hitler, Mussolini e outros dirigentes de regimes reacionários são estudados justamente porque tiveram papel decisivo em acontecimentos do século XX.
A situação sequer ocorreu em uma sala de aula ou diante de alunos. Tratava-se de uma reunião entre diretores da rede estadual. Ainda assim, uma indicação bibliográfica e uma consideração sobre a capacidade de liderança de uma figura histórica foram suficientes para provocar o afastamento da dirigente.
O episódio coloca em questão a própria liberdade de cátedra e a liberdade de discussão entre profissionais da educação. Se a menção a determinada obra ou personagem puder ser tratada como concordância política com aquilo que está sendo estudado, professores e educadores passarão a trabalhar sob ameaça permanente de punição pelo conteúdo de suas discussões.
Nada disso implica fazer uma defesa política de Hitler. O nazismo destruiu organizações operárias, perseguiu adversários, organizou campos de concentração e levou a Alemanha a uma guerra de conquista. São precisamente fatos dessa dimensão que tornam obrigatório o estudo do nazismo para compreender a história contemporânea.
Após a repercussão, a Secretaria da Educação afastou Roselaine e abriu uma apuração. A pasta afirmou que as declarações da dirigente não correspondem à sua posição institucional.





