O governo dos Estados Unidos anunciou na sexta-feira (28) a intenção de retirar da filial do Banque Misr nos Emirados Árabes Unidos o acesso ao sistema bancário norte-americano.
O Banque Misr é o segundo maior banco do Egito. Caso a medida entre em vigor, a unidade nos Emirados ficará impedida de manter normalmente relações de correspondência com bancos dos Estados Unidos e, consequentemente, de realizar operações em dólares.
A previsão é que a restrição passe a valer em 28 de setembro. Antes disso, haverá um período de 30 dias para o recebimento de manifestações sobre a decisão.
O Departamento do Tesouro acusa a filial de servir como um ponto importante para o acesso do Irã à moeda norte-americana. A ação integra a chamada Operation Economic Outcast, anunciada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, em meio ao confronto entre Washington e Teerã em torno do estreito de Ormuz.
Outros alvos foram atingidos no mesmo anúncio. O responsável pela filial do Bank Melli em Dubai, Reza Mohammad Taeedi, foi sancionado. A empresa Kameng Trading Limited, sediada em Hong Kong, também entrou na lista do governo norte-americano.
As punições vão muito além das fronteiras dos Estados Unidos. O Banque Misr é egípcio, a filial funciona nos Emirados e a relação questionada por Washington envolve o Irã.
O poder de impor a medida vem da posição do dólar no comércio mundial e da centralidade dos bancos norte-americanos nas transações internacionais. Uma instituição estrangeira pode ser colocada diante da escolha entre obedecer à política externa dos Estados Unidos ou perder acesso a uma parcela fundamental das operações financeiras internacionais.
É dessa maneira que Washington transforma seu domínio financeiro em instrumento de guerra contra o Irã, atingindo inclusive empresas e bancos de países que não fazem parte do conflito.





