Guerra no Oriente Próximo

Reação do Irã demoliu infraestrutura militar e de espionagem dos EUA

Ataques iranianos destruíram instalações de inteligência, radares e equipamentos de vigilância; reconstrução deverá custar bilhões de dólares

A espetacular reação militar do Irã à agressão dos Estados Unidos e de “Israel” provocou prejuízos de bilhões de dólares à estrutura militar e de espionagem mantida pelo imperialismo no Oriente Médio.

Segundo reportagem da rede norte-americana NBC News, mísseis e drones iranianos atingiram instalações ligadas à CIA, equipamentos de vigilância e sistemas compartilhados pelos serviços de inteligência e pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.

A destruição foi suficientemente extensa para obrigar o Congresso norte-americano a procurar recursos destinados à recuperação das instalações e à substituição do equipamento perdido.

Os novos dados completam o quadro revelado nos últimos meses sobre os estragos sofridos pelos Estados Unidos durante a guerra. O Diário Causa Operária já havia mostrado que algumas das grandes bases norte-americanas atingidas pelo Irã podem nem voltar a funcionar, diante do custo da reconstrução e, principalmente, da possibilidade de serem novamente destruídas em outro confronto.

Não foram atingidos apenas quartéis, pistas e depósitos. Parte da rede utilizada por Washington para vigiar toda a região também foi colocada fora de operação.

Irã atingiu os olhos e ouvidos dos EUA

A presença dos Estados Unidos no Oriente Médio depende de uma vasta infraestrutura de inteligência.

Radares, sistemas de comunicação, equipamentos de vigilância e postos vinculados aos serviços de espionagem acompanham permanentemente a atividade militar dos países da região e fornecem informações para as operações norte-americanas.

É esse aparato que permite aos Estados Unidos preparar ataques, acompanhar movimentações militares e manter sob observação governos e organizações consideradas hostis a seus interesses.

Os ataques iranianos alcançaram justamente esse setor.

A NBC informou que os prejuízos às instalações de inteligência foram de uma dimensão sem precedentes e que sua recuperação poderá custar bilhões de dólares.

O valor, porém, é apenas parte da questão. Equipamentos especializados e centros de inteligência não podem ser substituídos da noite para o dia. Mesmo reconstruídos, continuarão ao alcance do arsenal iraniano.

A reação de Teerã demonstrou que a rede construída durante décadas para cercar e espionar os países do Oriente Médio também pode ser atacada, danificada e destruída.

“Fomos esmagados”

A dimensão dos danos obrigou especialistas ligados ao próprio aparato militar norte-americano a reconhecer a falta de preparação de Washington.

Seth Jones, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), afirmou que os Estados Unidos entraram na guerra sem preparar adequadamente a defesa de suas bases contra os mísseis e drones iranianos. “E fomos esmagados”, resumiu.

A declaração expõe a confiança com que o governo Trump entrou no conflito.

Os Estados Unidos imaginaram que poderiam bombardear o Irã mantendo protegidas as estruturas a partir das quais organizam suas operações no Oriente Médio. A suposição se baseava na experiência de décadas de guerras contra países incapazes de atingir diretamente as posições norte-americanas.

Foi assim no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e em outras guerras imperialistas. As Forças Armadas dos Estados Unidos bombardeavam cidades e instalações a milhares de quilômetros de seu território enquanto suas principais bases permaneciam relativamente protegidas.

Contra o Irã, a situação foi diferente.

Teerã construiu ao longo dos anos um arsenal capaz de atingir as instalações norte-americanas espalhadas pela região. Quando Washington partiu para a guerra, essas bases deixaram de ser apenas plataformas para a agressão e se transformaram em alvos.

O reconhecimento de Jones mostra que os dirigentes norte-americanos não prepararam adequadamente sua própria estrutura para essa mudança.

Bases viraram um problema para o imperialismo

A extensa rede militar dos Estados Unidos no Golfo sempre foi apresentada como demonstração de superioridade.

O imperialismo americano mantém tropas e equipamentos em diversos países, com instalações particularmente importantes no Catar, Barém, Cuvaite e Emirados Árabes Unidos. A partir delas, consegue deslocar aviões, organizar operações e ameaçar praticamente qualquer país do Oriente Médio.

Essa estrutura funcionava porque a concentração de forças oferecia muito mais vantagens do que riscos.

A reação iraniana mudou a equação.

Uma grande base reúne num único local pistas, aeronaves, radares, centros de comando, depósitos de munição e milhares de militares. Quando o adversário possui capacidade para atingi-la, aquilo que antes era uma vantagem passa a representar uma enorme vulnerabilidade.

Por isso, depois dos ataques iranianos, autoridades norte-americanas começaram a discutir a substituição de algumas grandes instalações por unidades menores e mais dispersas.

Não se trata de uma mudança voluntária na política norte-americana. Os Estados Unidos não chegaram à conclusão de que mantêm bases demais no Oriente Médio por algum súbito respeito à soberania dos povos da região.

O Irã impôs esse debate pela força.

Espionagem também ficou vulnerável

Os danos revelados agora tornam a situação ainda mais complicada.

Deslocar aviões e soldados para instalações menores é relativamente simples quando comparado à reconstrução de uma estrutura de inteligência.

A espionagem norte-americana depende de equipamentos caros, sistemas integrados e posições cuidadosamente escolhidas para acompanhar comunicações e movimentações militares.

A perda dessas instalações compromete uma das principais vantagens utilizadas pelo imperialismo em suas guerras: a capacidade de reunir uma quantidade muito maior de informações do que o adversário.

O Irã mostrou que essa superioridade não está garantida.

Se radares, postos de inteligência e equipamentos de vigilância podem ser destruídos junto com as bases militares, os Estados Unidos terão de gastar bilhões não apenas para repor o material perdido, mas também para encontrar formas de protegê-lo de novos ataques.

Reconstruir exatamente da mesma maneira significaria oferecer novamente ao Irã os mesmos alvos.

A superioridade norte-americana não é absoluta

A guerra mostrou também os limites da defesa antimíssil norte-americana.

Os Estados Unidos dispõem de alguns dos sistemas mais caros e avançados do mundo. Mesmo assim, não conseguiram impedir que uma parcela dos mísseis e drones iranianos atingisse alvos importantes.

Para provocar um prejuízo enorme, não é necessário que todos os projéteis atravessem as defesas.

Um míssil que alcance um equipamento de inteligência de altíssimo valor pode produzir um prejuízo incomparavelmente maior que seu próprio custo. O mesmo vale para um drone que consiga atingir uma instalação onde estejam concentrados equipamentos militares caros.

Esse problema coloca o Pentágono numa posição particularmente difícil.

Os Estados Unidos possuem um orçamento militar gigantesco, mas precisam defender dezenas de instalações espalhadas por toda a região. O Irã pode escolher os alvos e obrigar o inimigo a gastar enormes quantidades de recursos para tentar protegê-los.

A guerra de agressão acabou expondo uma fraqueza que o imperialismo procurava esconder: sua presença militar no Oriente Médio depende de uma infraestrutura gigantesca e, por isso mesmo, difícil de defender.

A conta ficou para o agressor

Trump iniciou a guerra procurando destruir a capacidade militar iraniana e reafirmar seu controle sobre o Oriente Médio.

Encontrou uma resposta capaz de atingir diretamente a estrutura utilizada para sustentar esse domínio.

As instalações norte-americanas sofreram estragos tão grandes que algumas poderão ser abandonadas. Agora se sabe que também a rede de inteligência sofreu prejuízos bilionários.

A frase de Seth Jones sintetiza melhor que qualquer propaganda iraniana o resultado dessa política: os Estados Unidos entraram na guerra sem preparar adequadamente suas próprias posições e “foram esmagados”.

É uma derrota particularmente humilhante para uma potência que construiu sua política no Oriente Médio sobre a ameaça permanente de bombardear os demais países sem sofrer consequências equivalentes.

O Irã demonstrou que essa época está chegando ao fim. As bases, os radares e os centros de espionagem usados para atacar e controlar os povos da região também estão ao alcance de seus mísseis.

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