Os casos suspeitos de cólera no Iêmen passaram de 217, na semana de 6 a 12 de setembro, para 647 entre 27 de setembro e 3 de outubro. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o país acumula 8.034 registros suspeitos e 27 mortes neste ano. Um quarto dos casos de 2026 ocorreu nas quatro semanas mais recentes.
O aumento acompanha a fuga de mais de 200 mil pessoas dos combates. Famílias que deixaram suas casas chegam a acampamentos onde faltam saneamento e água segura. Essas condições favorecem a transmissão da cólera, uma doença que pode ser tratada quando há atendimento disponível a tempo.
“As famílias que fogem do conflito agora enfrentam outra ameaça, causada por doenças que podem ser prevenidas e tratadas”, afirmou Annette Heinzelmann, diretora regional de emergências da OMS. Para impedir novas mortes, são necessárias equipes de saúde, vigilância dos casos, centros de tratamento e acesso à água limpa nos locais onde os deslocados se abrigam.
O povo iemenita vive há mais de uma década sob a guerra iniciada pela coalizão dirigida pela Arábia Saudita, com apoio militar e político dos Estados Unidos. A retomada dos ataques deslocou mais famílias e pressionou serviços de saúde atingidos por anos de destruição. A resistência comandada pelo Ansar Alá enfrenta essa agressão; nos acampamentos, seus efeitos aparecem também na água que as pessoas precisam beber.





