Donald Trump manteve contatos com dirigentes de organizações curdas do Iraque e do Irã nos primeiros dias da guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por “Israel” contra a República Islâmica. Uma reportagem da Al Jazeera, publicada em 5 de março, reuniu informações sobre essas conversas e sobre a intenção norte-americana de ampliar a pressão militar sobre Teerã. Naquela data, não havia acordo confirmado publicamente entre Washington e os grupos mencionados.
Entre os dirigentes citados estavam Masoud Barzani, do Partido Democrático do Curdistão iraquiano; Bafel Talabani, da União Patriótica do Curdistão; e Mustafa Hijri, do Partido Democrático do Curdistão Iraniano. Organizações de oposição curda iraniana haviam formado uma coalizão pouco antes da guerra. Elas não compõem uma força única, nem representam todas as posições do povo curdo. Confundir a atuação de algumas direções com a vontade de toda uma população ajudaria a esconder quem procura comandar a operação.
A proposta de abrir uma frente na fronteira interessa aos Estados Unidos: obrigaria o Irã a deslocar forças enquanto Washington e “Israel” mantêm sua ofensiva. Para os habitantes da região curda do Iraque, significaria levar os combates para suas cidades e terras. Nechirvan Barzani, presidente do governo regional curdo, disse ao chanceler iraniano que sua região não participaria de ataques contra o Irã. A declaração mostra que nem mesmo entre as autoridades curdas iraquianas há aceitação automática dos objetivos norte-americanos.
Os curdos têm reivindicações nacionais próprias e uma longa história de combate por seus direitos. Subordiná-las à guerra de Washington seria entregar a uma potência estrangeira a escolha dos inimigos, dos alvos e do momento de lutar. A experiência de alianças anteriores mostra ainda que os Estados Unidos podem abandonar seus parceiros quando mudam suas prioridades. A defesa dos direitos do povo curdo não exige que seus combatentes se tornem força auxiliar da agressão contra o Irã.





