Oriente Médio

Iêmen impõe três novas regras contra a agressão saudita

Saná anuncia “bloqueio por bloqueio”, ataques às concentrações militares sauditas e resposta a qualquer violação da soberania nacional

As Forças Armadas do Iêmen anunciaram três novas regras militares para responder à escalada da Arábia Saudita. A primeira estabelece “bloqueio por bloqueio”; a segunda determina ataques contra concentrações militares sauditas onde quer que estejam; e a terceira prevê resposta a qualquer violação da soberania iemenita.

O anúncio foi feito em meio ao aumento das tensões entre Saná e Riade. As autoridades iemenitas acusam a monarquia saudita de manter restrições contra o país e de realizar novos preparativos militares.

A primeira das três medidas atinge diretamente a economia saudita.

Desde 20 de julho, as forças iemenitas afirmam ter atacado oito navios petroleiros sauditas: cinco no Mar Vermelho e três no golfo de Áden e no mar da Arábia.

Segundo Saná, outros 48 navios de petróleo foram impedidos de prosseguir pelo mar da Arábia e pelo oceano Índico e tiveram de retornar.

A política recebeu o nome de “bloqueio por bloqueio”. A mensagem é simples: enquanto a Arábia Saudita mantiver restrições contra o Iêmen, sua própria circulação marítima e suas exportações estarão sujeitas a ataques.

O petróleo é um ponto particularmente sensível para Riade. As exportações são uma das principais fontes de receita da monarquia, e a capacidade iemenita de atingir navios e instalações petrolíferas amplia consideravelmente o custo de uma nova ofensiva contra o país.

A segunda regra diz respeito às forças militares sauditas.

Saná anunciou que concentrações de tropas e equipamentos poderão ser atacadas independentemente de onde estejam instaladas. As Forças Armadas iemenitas afirmam já ter realizado operações contra posições em diferentes regiões e relatam mortos e feridos entre soldados e oficiais sauditas.

Também foram anunciadas nove operações contra alvos em Yanbu, Najran, Jizan e Abha, além de pontos ligados ao abastecimento de petróleo na Província Oriental da Arábia Saudita.

A terceira regra estabelece uma resposta militar a qualquer violação do território ou do espaço aéreo iemenita.

Com isso, Saná procura deixar claro que novos ataques não ficarão restritos ao território do Iêmen. Cada ação saudita poderá produzir uma resposta direta dentro da própria Arábia Saudita.

As Forças Armadas resumiram a política afirmando que uma escalada geral será respondida com uma escalada da mesma proporção.

Essa posição marca uma diferença importante em relação aos primeiros anos da guerra. A Arábia Saudita entrou no conflito dispondo de enorme superioridade econômica, armamentos modernos fornecidos pelas potências imperialistas e domínio quase completo do espaço aéreo.

O Iêmen, apesar da devastação produzida pelos bombardeios e pelo bloqueio, desenvolveu ao longo dos anos uma capacidade crescente de atingir alvos a centenas de quilômetros de seu território.

Mísseis, drones e operações marítimas tornaram possível levar a guerra para dentro da Arábia Saudita e ameaçar diretamente sua infraestrutura econômica.

É essa capacidade que sustenta as três regras anunciadas agora.

Saná também condiciona o fim das operações ao levantamento do bloqueio e ao cumprimento dos acordos firmados anteriormente. As autoridades iemenitas exigem ainda o respeito à soberania do país e o fim das medidas que atingem sua atividade econômica.

A monarquia saudita rejeita a acusação de manter um bloqueio contra o povo iemenita e afirma que as restrições estão relacionadas ao controle de armas e às operações militares. Saná sustenta que essas medidas integram a agressão contra o país.

A nova doutrina militar procura impedir que Riade possa aumentar a pressão sem sofrer consequências equivalentes.

O princípio adotado é o da reciprocidade: se houver bloqueio, os interesses econômicos sauditas serão bloqueados; se houver concentração de tropas para atacar o Iêmen, elas poderão ser atingidas; se houver violação da soberania nacional, a resposta chegará ao território do agressor.

A Arábia Saudita encontra, portanto, um Iêmen muito diferente daquele contra o qual iniciou sua intervenção militar. Depois de anos de guerra, Saná construiu meios para atingir navios, instalações petrolíferas e posições militares sauditas.

As três regras anunciadas transformam essa capacidade numa advertência política a Riade: qualquer nova escalada terá consequências dentro da própria Arábia Saudita.

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