Resposta aos caluniadores

PCO é o único partido democrático do País, não uma ‘seita familiar’

Polícia Filial e PIG tentam transformar Rui Costa Pimenta em “dono” do Partido para atacar a organização independente dos trabalhadores

A campanha contra Rui Costa Pimenta e o Partido da Causa Operária (PCO), intensificada pela operação da Polícia Filial da última semana, procura estabelecer uma ideia necessária à acusação: a de que Rui seria uma espécie de proprietário do Partido e decidiria pessoalmente tudo o que acontece na organização.

É também a tese defendida pelo editorial Partido político é negócio da China, de O Estado de S. Paulo. O jornal trata Rui como “dono” da organização e chega a caracterizar o PCO como uma empresa particular destinada a beneficiar seu presidente.

A semelhança com a maneira pela qual a “investigação” apresenta o funcionamento financeiro do Partido é evidente. Ao atribuir a Rui pessoalmente a movimentação dos recursos e as decisões sobre sua utilização, procura-se apagar o fato básico de que o PCO possui direção, organismos e instâncias responsáveis por suas decisões.

Rui Costa Pimenta não decide sozinho para onde vai o dinheiro do Partido. As despesas partidárias são discutidas e determinadas pelas instâncias responsáveis. O fato de o presidente e o tesoureiro responderem legalmente pelas contas não significa que o patrimônio ou os recursos pertençam a eles, nem que possam utilizá-los segundo sua vontade.

Para transformar uma decisão partidária em negócio particular, portanto, é preciso primeiro inventar o “dono do PCO”.

https://causaoperaria.org.br/2026/pasquim-da-ditadura-estadao-gostaria-de-partido-unico-no-brasil/

A acusação tem ainda uma história curiosa. Muito antes de aparecer no Estadão e na atual ofensiva policial, era repetida por setores policialescos que se travestem de esquerda. O portal de fofocas Diário do Centro do Mundo (DCM) já procurou apresentar o Partido como uma organização controlada pela “família Pimenta”. Jones Manoel, por sua vez, tornou recorrente a expressão “seita familiar” para atacar o PCO.

A calúnia utilizada por esses setores encontra agora sua versão mais acabada na imprensa burguesa e serve de complemento político à perseguição contra Rui. O Estadão e a própria PF, filial do Mossad, utilizarem os mesmos recursos de Jones Manoel é revelador de quão direitista e reacionária é essa campanha, mas revela sobretudo que trata-se de uma campanha da burguesia, do imperialismo e do Estado capitalista que tem Jones Manoel como um propagandista.

O problema é que basta examinar como funciona o Partido para que a caricatura desmorone.

A principal instância do PCO é seu Congresso Nacional. Nele, delegados escolhidos pela militância, em suas organizações de base, discutem a situação política, o programa, a organização, as atividades e as finanças e elegem a direção nacional. Rui Costa Pimenta ocupa a Presidência porque é eleito dentro dessa estrutura partidária, e não porque possua qualquer direito de propriedade sobre a organização.

O XII Congresso Nacional, realizado neste ano, reuniu militantes de várias regiões do País durante quatro dias. Foram discutidos os problemas políticos e organizativos do Partido e, ao final, eleito um novo Comitê Central Nacional. As discussões foram exaustivas, com casos de reclamações por parte de alguns militantes que pediram para a direção ser mais rigorosa no controle do tempo da discussão de assuntos que consideravam pouco relevantes. A direção, no entanto, permitiu que a discussão continuasse até se esgotar no convencimento dos que discordavam da maioria. Isso ocorre em todos os congressos do PCO, inclusive em reuniões corriqueiras: os seus militantes têm total liberdade para discutir e discordar, até que a uma opinião majoritária sobre determinado tema é formada, com base no convencimento e apenas no convencimento.

Esse não é um ritual realizado apenas para atender às exigências da Justiça Eleitoral. Entre um congresso e outro, o PCO mantém uma intensa vida interna.

O Partido promove várias conferências durante o ano para discutir problemas específicos da situação política. Nas eleições, realiza conferências para estabelecer sua orientação diante de cada etapa da disputa. Isso ocorre inclusive entre o primeiro e o segundo turnos, período curto em que todos os outros partidos, inclusive os da esquerda que se acha radical, simplesmente esperam que suas cúpulas anunciem com quem fecharam acordo.

Em 2024, por exemplo, a militância foi convocada para discutir o balanço do primeiro turno das eleições municipais e decidir a posição que seria adotada no segundo. Não houve uma ordem pessoal de Rui comunicada posteriormente aos militantes. Houve uma conferência nacional.

Também são realizadas constantemente plenárias nacionais e estaduais, nas quais os militantes acompanham informes políticos, discutem as campanhas do Partido e têm contato direto com sua direção. Somam-se a isso as reuniões dos organismos locais e estaduais.

Outro elemento decisivo é a formação dos militantes. O PCO organiza cursos regulares sobre marxismo, história, economia e política. O objetivo não é manter uma base que apenas receba ordens de cima, mas formar militantes capazes de compreender e defender conscientemente o programa da organização.

O Partido possui ainda algo que desapareceu praticamente por completo na esquerda brasileira: uma imprensa partidária permanente. O Diário Causa Operária, o Jornal Causa Operária, a Causa Operária TV e os diversos programas mantidos pelo Partido apresentam diariamente suas posições sobre os acontecimentos nacionais e internacionais. E quem faz essa imprensa são os militantes: são eles que escrevem e apresentam as opiniões do Partido às massas, tendo, portanto, um poder de intervenção no debate público que nenhum outro partido dá aos seus seguidores.

A política do PCO não fica escondida dentro da sala de algum dirigente. É exposta todos os dias ao público e, sobretudo, aos próprios militantes.

Tudo isso torna particularmente absurda a história da “seita familiar”. Uma seita não precisa realizar congressos para eleger direção, convocar conferências para decidir sua política eleitoral, organizar plenárias, formar politicamente seus integrantes e publicar diariamente aquilo que defende.

A comparação com os demais partidos torna a acusação ainda mais grotesca.

Em todos os outros partidos, as decisões fundamentais são tomadas por pequenos grupos de parlamentares, governadores, prefeitos, empresários e burocratas. As alianças eleitorais são acertadas nos gabinetes. As candidaturas são distribuídas em negociações entre grupos. A orientação pode mudar completamente sem que a militância seja chamada a decidir — isso quando existe uma militância real para ser consultada, o que não é o caso em praticamente nenhum partido.

Há partidos que pertencem, na prática, a caciques regionais. Outros funcionam como federações de mandatos parlamentares. Há ainda aqueles cuja política é condicionada diretamente pelos setores capitalistas – empresas ou ONGs – que financiam e sustentam seus dirigentes.

Esses são partidos com verdadeiros donos.

O PCO se sustenta por outro método. Além dos recursos previstos pela legislação partidária, financia sua atividade por meio das contribuições dos militantes, da venda de jornais, livros e materiais políticos, dos cursos, das festas e de campanhas de arrecadação dirigidas àqueles que concordam com sua política revolucionária.

Não é um detalhe administrativo. Quem financia uma organização também exerce influência sobre ela. A dependência dos grandes capitalistas, dos gabinetes parlamentares e de grupos estranhos à sua base inevitavelmente condiciona a política dos partidos.

O PCO faz o contrário: apoia-se na própria militância e nas pessoas que sustentam seu programa.

Isso ajuda a explicar por que sua vida interna é muito mais intensa do que a das demais legendas. Quem participa do Partido não é chamado apenas para votar em uma convenção eleitoral previamente resolvida, distribuir material durante algumas semanas e depois voltar para casa. Participa de reuniões, cursos, plenárias, conferências, congressos, campanhas políticas e atividades de arrecadação durante todo o ano.

É nesse sentido que o PCO é sem dúvida o partido mais democrático do País. Sua política é discutida por uma militância organizada e sua direção é escolhida democraticamente por essa militância. A disciplina existente depois das decisões não elimina essa democracia. É justamente o que permite que aquilo que foi decidido coletivamente seja realizado pelo conjunto da organização.

O centralismo democrático não significa que o líder do Partido decide e os demais obedecem. Significa discussão dentro das instâncias partidárias, decisão e ação comum depois que uma posição é estabelecida.

Apresentá-lo como uma espécie de propriedade da família Pimenta é necessário justamente para esconder essa realidade.

O Estadão, a Polícia Filial e setores da esquerda pequeno-burguesa ongueira chegam, por caminhos diferentes, ao mesmo personagem fictício: Rui Costa Pimenta como “dono do PCO”. Para fazê-lo aparecer, precisam eliminar da história o Congresso, o Comitê Central, as conferências, as plenárias, os organismos locais e os próprios militantes.

A perseguição política exige essa falsificação. Se o PCO for reconhecido pelo que realmente é — um partido organizado, com direção eleita, organismos próprios e decisões coletivas — torna-se muito mais difícil apresentar cada decisão financeira como um ato particular de Rui Costa Pimenta e cada atividade partidária como um negócio de família.

É verdade que o PCO é uma verdadeira anomalia dentro do sistema partidário brasileiro. Afinal de contas, nessa maravilhosa democracia em que vivemos o povo não tem poder para nada, nem mesmo dentro de partidos com os quais concorda. Todos os partidos são camarilhas que servem aos interesses carreiristas e carguistas de seus donos.

Mas justamente o partido que mantém uma vida militante permanente, elege democraticamente sua direção e discute publicamente sua política é chamado de “seita”.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.