O escândalo do Banco Master chegou novamente ao grupo político de Jaques Wagner e Rui Costa na Bahia. Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação divulgada nesta sexta-feira (25), que pagava R$3 milhões mensais a pessoas ligadas ao senador sionista do PT. Segundo o banqueiro, R$2 milhões passavam por um contrato entre o Master e a PKL One, empresa responsável pelo Credcesta, enquanto outro R$1 milhão seria entregue em dinheiro a aliados de Wagner.
Vorcaro foi além. Afirmou que Wagner e o empresário Augusto Lima eram sócios ocultos da PKL One e que o acordo teria começado em 2018, depois de o Master pagar R$30 milhões por uma participação na empresa. Essa acusação, no entanto, não está comprovada. A proposta de colaboração foi rejeitada pela Polícia Filial e pelo Ministério Público por falta de elementos suficientes de confirmação. As defesas de Wagner e Lima negaram as acusações, e a própria delação não esclareceu qual ato concreto teria sido praticado pelo senador em troca dos supostos pagamentos.
O que não depende da palavra de Vorcaro é a relação comercial estabelecida em torno do Credcesta. A origem do negócio remonta à Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal responsável pela rede Cesta do Povo. A companhia foi vendida em 2018 por R$15 milhões pelo governo do PT, controlado por políticos de direita liderados por Rui Costa e Wagner na Bahia. Segundo o Poder360, Jaques Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Rui Costa, admitiu ter participado da articulação com Augusto Lima para a negociação.
Apenas 16 dias depois da venda, Rui Costa assinou dois decretos que aumentaram drasticamente as possibilidades comerciais do Credcesta. Um autorizou a ampliação de suas funções para serviços de crédito e financeiros. Outro incluiu o detentor dos direitos do programa no sistema de consignação dos servidores estaduais, com margem própria que poderia chegar a 30% da remuneração líquida.
trata-se de uma política abertamente direitista e neoliberal aplicada pelo governo do PT na Bahia. E que se mostrou um verdadeiro golpe contra os trabalhadores baianos.
Foi depois dessas mudanças que Augusto Lima buscou uma instituição financeira para ampliar as operações. Após uma tentativa com o BMG, aproximou-se do Banco Máxima, que posteriormente se tornaria o Banco Master de Daniel Vorcaro. Documentos citados pelo Poder360 mostram que o banco já operava com o Credcesta no fim de 2018.
A associação entre o negócio saído da antiga estatal privatizada por Rui Costa/Wagner e o banco de Vorcaro, portanto, é documentada. O que permanece como acusação sem comprovação é a afirmação de que Wagner possuía participação societária oculta e recebia parte dos valores pagos pelo Master.
O governo Rui Costa voltou a intervir no assunto em janeiro de 2022. Um novo decreto modificou as regras de portabilidade dos empréstimos consignados. Segundo levantamento do Poder360, a alteração deixou o Credcesta fora do procedimento geral que permitia aos servidores transferir dívidas para instituições que oferecessem juros menores. O ato não citava nominalmente o Master, mas produziu esse efeito para as operações ligadas ao cartão.
A sequência é reveladora sobre o que realmente é o grupo dirigente do PT da Bahia: privatização de uma estatal, abertura de um negócio de crédito consignado, medidas favoráveis à sua expansão e, depois, entrada de um banqueiro privado que acabaria no centro de um dos maiores escândalos financeiros do País.
Wagner e Rui Costa representam a ala direita do PT. Os governos comandados pelo grupo na Bahia ficaram marcados pela colaboração promíscua com grandes empresários e por privatizações como a da própria Ebal, além da intensa repressão da Polícia Militar, uma das que mais matam no Brasil.
No caso de Wagner, há ainda sua antiga relação com o sionismo. O senador possui uma trajetória política ligada desde a juventude a organizações sionistas (foi membro do movimento juvenil sionista trabalhista Habonim Dror) e permanece defensor do Estado terrorista de “Israel”. Em junho de 2025, ao discursar no Senado, declarou ser “apaixonado por Israel”.
Poucos meses depois, numa sessão de propaganda dos genocidas que mataram ao menos 72 mil pessoas em Gaza, Wagner classificou o Hamas como organização terrorista e afirmou: “O Hamas tem que ser exterminado”. Na mesma fala, voltou a defender o Estado de “Israel”.
Sua atuação na Bahia, as relações íntimas com grandes empresários e a privatização da Ebal, além dos acordos feitos pelo governo Wagner com “Israel” e a letalidade da PM baiana, apontam para uma política de promiscuidade com os grandes capitalistas, apoio ao imperialismo e ao sionismo e utilização da PM para reprimir o povo baiano.
O caso Master acrescenta agora um elemento particularmente inconveniente para o PT. O Partido procura chegar às eleições apresentando a direita como adversária dos trabalhadores e associando seus adversários ao grande capital financeiro, enquanto um de seus dirigentes nacionais mais importantes aparece cercado por relações políticas e empresariais que conduzem diretamente ao negócio que alimentou a expansão do banco de Vorcaro.
Não é necessário aceitar como verdadeira a acusação de que Wagner era sócio oculto da PKL One para perceber o problema. A participação do Master no Credcesta, a relação de Augusto Lima com o negócio, a atuação de Wagner na negociação da antiga Ebal e os decretos editados por Rui Costa são fatos documentados. A acusação de Vorcaro se soma a essa história; não a criou.
Isso também cria um problema eleitoral para um partido que subordina sua política à disputa das eleições. A direção petista precisa responder agora por que um ativo privatizado sob seu governo, articulado por um de seus principais dirigentes e beneficiado por sucessivas decisões administrativas, terminou associado ao Banco Master. Isso não deve ser esclarecido ao DCO, mas à sua própria base e aos eleitores, conforme a pressão realizada pelos opositores do PT avança.
A direita certamente utilizará o episódio contra Lula e contra o PT. O material é especialmente conveniente para essa campanha porque permite atacar o partido exatamente no terreno em que ele tenta se diferenciar de seus adversários: suas relações com banqueiros e grandes empresários.
O problema não se resolve apenas afastando Wagner eleitoralmente do escândalo. Sua trajetória política, seu papel de agente de “Israel”, a política aplicada pelo governo petista na Bahia e as relações empresariais agora reveladas mostram por que a presença de um dirigente com esse perfil na cúpula do PT produz contradições cada vez maiores para um partido que ainda procura se apresentar aos trabalhadores como uma organização que atende aos seus interesses.




