As eleições de 2026 mostram de maneira bastante clara quais setores sociais ocupam os partidos brasileiros. Quase um em cada cinco candidatos declarou patrimônio de pelo menos R$1 milhão. Segundo levantamento do Poder360, são 3.816 milionários entre 20.530 candidaturas registradas até 17 de agosto, o equivalente a 18,6% do total.
O dado mais significativo aparece quando o levantamento é dividido por partido. Ele revela o que já era esperado, em se tratando da direita e da esquerda pequeno-burguesa, bem como da sua antítese, o Partido da Causa Operária.
Apenas o PCO não possui nenhum candidato com patrimônio declarado acima de R$1 milhão. Dos 146 candidatos do PCO contabilizados, nenhum é milionário.
Nem mesmo os partidos que se definem como organizações da esquerda radical apresentam o mesmo quadro. O PSTU possui cinco candidatos milionários, o PCB tem um e a UP, três. O PSOL aparece com 31. No PCO, o número é zero.
Isso corresponde à própria composição social das candidaturas do Partido. A grande maioria é formada por operários, estudantes, trabalhadores rurais, sem-terra, professores e índios, pessoas que vivem do próprio trabalho e participam diretamente das lutas populares.
No Paraná, por exemplo, o candidato do PCO ao governo, Adriano Teixeira, é operário e trabalha como funileiro. No Rio de Janeiro, Luiz Eugênio Honorato, candidato ao Senado, é metalúrgico de Volta Redonda. Em São Paulo, Izadora Dias, candidata ao governo, é estudante da Universidade de São Paulo (USP).
Em Mato Grosso do Sul, o Partido apresenta vários candidatos índios. Daniel Lemes, candidato ao governo, é professor e guarani-caiouá. Valderi Garcia, candidato ao Senado, é guarani-terena, pedreiro e agricultor. São candidaturas ligadas diretamente às comunidades e à luta pela terra, e não aos escritórios empresariais e às carreiras construídas dentro do Estado.
Simbolizando o caráter operário do Partido, o nome de urna do candidato ao governo de Santa Catarina é Bruno Pedreiro do PCO. Isso mesmo. Bruno Andrade Dias é pedreiro e tem orgulho de ser pedreiro. O PCO também se orgulha de ser o partido que representa, efetivamente, os trabalhadores do País.
O contraste com o conjunto das eleições é evidente. De acordo com os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os empresários formam o grupo profissional mais numeroso entre os candidatos, representando cerca de 10% do total. São 2.576 empresários disputando cargos em todo o País.
Logo depois aparecem 1.691 advogados, 874 deputados, 811 vereadores, 569 policiais militares, 558 médicos e 541 servidores públicos estaduais. Outros 2.709 candidatos (ou seja, os 10% restantes) estão registrados pelo TSE na categoria “outras ocupações”. É ali, no polo oposto, nos 10% que nem sequer são dignos de menção pela justiça patronal, onde se encontram os trabalhadores, camponeses, índios, estudantes e demais candidatos das camadas oprimidas. Todos os candidatos do PCO estão nesse polo.
A lista revela a natureza social do regime eleitoral. Empresários ocupam o primeiro lugar, enquanto políticos profissionais, advogados, integrantes das forças repressivas e funcionários de níveis mais altos do aparelho de Estado aparecem em grande número. Para uma parcela importante desses setores, as eleições funcionam como caminho para entrar, permanecer ou subir na carreira política e burocrática.
Não se trata apenas dos grandes partidos tradicionais. Até organizações que procuram apresentar suas candidaturas como expressão de uma esquerda mais radical possuem milionários em suas fileiras. A presença desse setor social dentro dos partidos mostra o enorme peso da pequena burguesia enriquecida e das camadas ligadas ao próprio funcionamento do Estado dentro das organizações que pretendem liderar os trabalhadores.
O PCO apresenta uma composição diferente porque suas candidaturas são tiradas fundamentalmente dos setores que o Partido organiza. São trabalhadores das fábricas e da construção civil, professores, estudantes, sem-terra, camponeses e índios. Acima de tudo, são militantes da luta popular e revolucionária.
Enquanto milhares de empresários e centenas de burocratas utilizam as eleições para disputar posições dentro do Estado, o PCO coloca como candidatos pessoas que não têm espaço nos partidos burgueses. É a diferença entre um partido formado pelo povão e organizações dominadas, em maior ou menor grau, por milionários e pelos setores privilegiados da sociedade. São partidos da classe dominante, enquanto o PCO é o partido dos oprimidos.





